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09.03.2022

Violência doméstica na gravidez traz risco de parto prematuro

Ator relatou situação evidenciada por estudo; ONG Prematuridade.com reforça a necessidade de políticas de combate

No mês dedicado à mulher (em 8 de março é celebrado o Dia Internacional da Mulher), além da defesa dos direitos femininos, se faz necessário também o fortalecimento de discussões acerca do enfrentamento à violência doméstica. De janeiro a 23 de fevereiro de 2022, das 48.876 denúncias recebidas pelos canais Disque 100, Ligue 180 e aplicativos Direitos Humanos Brasil, 55,24% eram de mulheres, segundo painel da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH), do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Essas denúncias totalizaram 123.013 violações contra a mulher - uma denúncia pode conter uma ou mais violação.

Estudo publicado no periódico científico The Lancet, em fevereiro, apontou que uma em cada quatro mulheres sofreu violência doméstica ao longo da vida e destaca que a agressão pode ter grandes impactos de curto e longo prazo nas saúdes física e mental da vítima, levando a custos sociais e econômicos substanciais para governos, comunidades e indivíduos.

Uma das consequências é o risco de parto prematuro. O ator Pablo Morais, de 29 anos, que atua como o personagem Marcos na novela "Além da Ilusão", da TV Globo, revelou que nasceu aos seis meses, após sua mãe ter sido vítima de violência doméstica cometida por seu pai. Em 2016, estudo publicado no BJOG: An International Journal of Obstetrics and Gynaecology concluiu que os atos violentos de parceiros ou ex-parceiros durante a gravidez dobram o risco de a mulher sofrer um parto prematuro e, ainda, de dar à luz um bebê de baixo peso.

Na ocasião, os pesquisadores da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, analisaram 50 estudos sobre o assunto, alcançando mais de 5 milhões de mulheres de 17 países; entre elas, 15 mil haviam sofrido algum tipo de violência dentro de casa.

“A violência é inadmissível em qualquer situação. No caso das gestantes, são duas ou mais vidas em questão. Além de nocivo para a mãe, a situação pode afetar diretamente o desenvolvimento do feto, seja por um trauma físico ou mesmo por uma violência verbal, uma vez que o aumento do estresse materno pode desencadear um parto prematuro”, fala Denise Suguitani, fundadora e diretora executiva da ONG Prematuridade.com, única organização sem fins lucrativos dedicada, em âmbito nacional, à prevenção da prematuridade.

Denise ressalta a necessidade de políticas públicas eficazes para o combate à violência doméstica, como o contínuo letramento da população sobre o tema e a capacitação de profissionais da saúde para auxílio às gestantes, além de ações que amparem essas mulheres. “Muitas vezes, o único contato dessa mãe é com o profissional de saúde que a acompanha, então, é fundamental que todos os profissionais de serviços sociais e de saúde estejam preparados para reconhecerem sinais de violência doméstica e de abuso, e saberem como agir”, salienta. “Em briga de marido e mulher se mete a colher, sim. Nenhuma mulher está sozinha e, juntos, podemos salvar milhares de vidas”, conclui.

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