

13 de Fevereiro de 2026
A história do Oliver: um pequeno guerreiro de 29 semanas
No dia 27 de novembro, pela manhã, comecei a perceber a saída de um muco com sangue. Como eu já tinha tido sangramentos outras vezes durante a gestação, a orientação médica era observar e ir ao hospital caso aumentasse. Ao longo do dia, percebi que estava aumentando e, no final da tarde, decidi ir ao hospital. Fui atendida e, após o exame, descobri que já estava com 4 cm de dilatação. Fui internada imediatamente e a equipe iniciou os procedimentos para tentar segurar o bebê o máximo possível. Fiquei em repouso absoluto. Cerca de 1 hora e meia depois, as contrações começaram. Fizeram um novo exame e eu já estava com 5 cm de dilatação. A dor aumentou e recebi medicação na veia para aliviar e tentar conter a dilatação. Por um momento, achei que estava funcionando, que conseguiríamos ganhar mais tempo. Mas, duas horas depois, as contrações ficaram muito mais fortes. Quando fui examinada novamente, já estava com dilatação total. Não havia mais como segurar.
O Oliver nasceu no dia 28 de novembro de 2025, às 00:09, com apenas 29 semanas de gestação. Ele era muito pequeno, pesava 1.360 kg e media 37 cm. Assim que nasceu, precisou ir direto para a UTI Neonatal. Começava ali a fase mais desafiadora das nossas vidas. Ficamos 29 dias na primeira UTI. O processo foi cheio de etapas. Ele começou usando CPAP, depois precisou ser entubado, voltou para o CPAP e, aos poucos, conseguiu respirar em ar ambiente. Durante esse período, teve apneias, anemia da prematuridade e precisou receber uma transfusão de sangue. Cada dia era uma mistura de medo e esperança. Cada pequena melhora era uma vitória enorme.
Depois desses 29 dias, ele foi transferido para a segunda UTI, onde ficou por 4 dias. Nesse momento, começamos a introduzir o peito. Mesmo sendo tão pequeno, ele conseguiu pegar e começou a mamar. Ele estava mais forte e estável. Em seguida, fomos para a UCINCO, onde ficamos por mais 9 dias, apenas aguardando o ganho de peso necessário para a alta.
E então chegou o dia que tanto esperávamos. No dia 09 de janeiro, o Oliver recebeu alta. Ele já pesava 2.004 kg, media 46 cm e estava mamando exclusivamente no peito. Depois de 42 dias de internação, finalmente pudemos levá-lo para casa.
A prematuridade assusta. A UTI dói. Mas também é o lugar onde vemos nossos filhos mostrarem uma força que nem imaginávamos existir. Hoje, olhando para o Oliver, temos a certeza de que cada dia foi um passo mais perto do nosso milagre em casa.
Para os pais que estão vivendo a UTI agora: um dia de cada vez. Seu bebê é mais forte do que parece.


