26 de Fevereiro de 2026

Trigêmeos

Descobri minha gravidez em outubro de 2024 e, em novembro de 2024, descobri que eram trigêmeos. Um pouco assustada, porém muito feliz, porque sempre havia dito que seria mamãe de gêmeos. Deus havia me dado muito mais do que eu podia imaginar.

Passados 10 dias, realizei uma nova ultra. Um havia sido absorvido, restando apenas os gêmeos, ou melhor, minha Clara e minha Celina. Durante minha gestação, nunca havia sentido absolutamente nada, até que um certo dia comecei a sentir uma leve cólica. Em conversa com o meu médico, que na época me passou um medicamento (Buscoduo) e repouso, assim fiz.

Dia 15/04/2025, antes de ir dormir, fui ao banheiro e, ao urinar, senti que não parava de sair líquido, posteriormente um pouco de sangue. Fui para a maternidade, fiquei em observação durante a noite e, no dia 16/04/2025, comecei a ter contrações, que passaram a aumentar gradativamente. Então começamos com a medicação para inibir, mas foi sem sucesso. Recebi a primeira dose de corticoide, quando, à noite, já estava com 10 cm de dilatação.

Meu médico então disse: “Não tem jeito, vai nascer, e se nascer, morre.” Então orei com muita fé. Não entendia o motivo, mas sabia que havia um propósito muito grande.

Clara e Celina nasceram de 28 semanas, em um hospital sem preparação e sem UTI Neo para receber um prematuro. Clara nasceu de parto normal, estava cefálica. Celina nasceu de cesárea, estava pélvica. 1,160 kg e 1,164 kg, com mais de uma hora de diferença. Foi uma noite já de muita luta para elas sobreviverem.

No dia seguinte, com muita luta, conseguimos vagas na UTI Neo mais próxima da nossa cidade. Eu não as conheci no momento do nascimento, pois a dificuldade de respirar era muito grande. Só conheci elas 3 dias depois, quando recebi alta e pude ir para a cidade em que estavam internadas.

A nossa batalha iniciou ali, mas em nenhum momento perdi a fé e a esperança. Eu sabia que iria viver a totalidade da promessa, assim como Deus já havia me concedido.

Foram muitas intercorrências: paradas cardiorrespiratórias, apneias, entubações, extubações, CPAP, anemias, transfusão, NPO (sem dieta), infecções, displasia broncopulmonar.

Foram mais de 100 dias de internação, entre UTI Neo, UCINCo, pediatria e UTI pediátrica. Desde o nascimento, em abril, a chavezinha virou em agosto, quando a Clara finalmente saiu da sonda e aprendeu a mamar sem ficar cianótica. Ela tinha disfagia e muito refluxo.

Hoje estão com 10 meses cronológicos e 7 meses corrigidos. Eu olho para elas e só consigo ver a bondade de Deus. A jornada, em muitos momentos, pareceu lenta e desesperadora, mas o real valor da vida e o que realmente importa sentimos e aprendemos ali, dentro de uma UTI, onde só se pode pegar seu filho no colo pela primeira vez depois de mais de 20 dias de vida, amamentar seu filho pela primeira vez com quase dois meses de vida, ter que ir embora e deixar seu filho e orar muito para vê-lo novamente bem no outro dia.

A mensagem que quero passar: não existe o impossível para Deus. Mesmo alguém dizendo que seu filho irá morrer, não existe oração mais poderosa do que a de uma mãe. A dor da UTI marcará e mudará a vida para sempre, mas ver seu filho sorrindo e olhando para você é entender os propósitos e o milagre de Deus.

OBS: durante nossa jornada eu lia muito os relatos, e isso muito me ajudou, me tranquilizou. Então não parem de mandar suas histórias aqui, sempre irá ajudar alguém mais e mais.

Responsabilidade do conteúdo por conta do autor, não reflete o posicionamento da ONG. Não nos responsabilizamos pela veracidade dos fatos.

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