Desde fevereiro de 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer uma nova estratégia de proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR): o anticorpo monoclonal nirsevimabe. A incorporação representa um importante avanço para a redução das formas graves de bronquiolite e outras infecções respiratórias causadas pelo VSR, especialmente entre bebês prematuros e crianças com condições clínicas que apresentam maior risco de hospitalização.
Atualmente, além das medidas gerais de prevenção, como a higienização frequente das mãos, a etiqueta respiratória e a redução da exposição de bebês a pessoas com sintomas respiratórios, o Brasil dispõe de duas importantes estratégias de proteção contra o VSR: a vacinação durante a gestação e o anticorpo monoclonal nirsevimabe para crianças elegíveis.
Além de organizar a estratégia de proteção para os bebês elegíveis ao nirsevimabe, os municípios também desempenham um papel essencial na ampliação da cobertura da vacinação materna contra o VSR. De acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), a vacina recombinante contra o VSR está indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gestação, em dose única, durante cada gestação, com o objetivo de proteger os bebês nos primeiros meses de vida por meio da transferência de anticorpos maternos. Garantir que essa vacina esteja disponível, que as equipes do pré-natal conheçam a estratégia e que as gestantes sejam orientadas sobre sua importância é uma ação fundamental para reduzir hospitalizações e formas graves da doença em lactentes.
De acordo com o Ministério da Saúde, o nirsevimabe está disponível no SUS para bebês prematuros menores de 6 meses de idade e para crianças de até 24 meses com condições clínicas específicas, conforme os critérios definidos na estratégia nacional de imunização. A recomendação é que os bebês elegíveis recebam essa proteção ainda durante a internação na maternidade, antes da alta hospitalar. Quando isso não é possível, a rede de atenção deve garantir que essas crianças sejam identificadas e protegidas o mais rapidamente possível.
É justamente nesse ponto que o papel dos municípios se torna fundamental.
São os gestores municipais, juntamente com suas equipes de saúde, que fazem com que uma política pública saia do papel e chegue, de fato, às famílias. São eles que organizam os fluxos assistenciais, qualificam as equipes, fortalecem a comunicação, monitoram os resultados e garantem que o direito à proteção alcance as crianças que mais precisam.
Cada município tem uma realidade diferente. Mas algumas perguntas ajudam a avaliar se a estratégia de proteção contra o VSR está chegando, de fato, às crianças que dela precisam
Perguntas que todo gestor municipal pode fazer
- O município possui maternidade com UTI Neonatal?
- Essa maternidade integra a Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE)?
- Está habilitada como Centro Intermediário de Imunobiológicos Especiais (CIIE)?
- Caso não seja CIIE, o fluxo com o CRIE de referência está estabelecido e funcionando?
- Quem identifica os bebês elegíveis antes da alta hospitalar?
- As famílias recebem orientação sobre essa estratégia de proteção ainda durante a internação?
- Existe uma estratégia para localizar rapidamente os bebês que receberam alta sem o nirsevimabe?
- A Atenção Primária à Saúde, os ambulatórios de seguimento e os Agentes Comunitários de Saúde conhecem esse fluxo?
- O município acompanha indicadores relacionados à identificação e proteção dessas crianças?
Responder a essas perguntas é um bom ponto de partida para identificar gargalos e oportunidades de melhoria na implementação da estratégia.
8 ações que podem fortalecer a proteção infantil no seu município hoje
A boa notícia é que muitas ações podem ser implementadas imediatamente e têm potencial para ampliar o acesso das crianças elegíveis à proteção.
- Conhecer o fluxo de proteção contra o VSR no seu município: verifique se a(s) maternidade(s) integra(m) a RIE ou está(ão) habilitada(s) como CIIE e, caso não esteja(m), se o fluxo com o CRIE está funcionando.
- Garantir que todos os bebês elegíveis sejam identificados ainda durante a internação.
- Organizar estratégias de busca ativa (resgate) para os bebês que receberam alta sem a proteção (contato telefônico, consultas de retorno, visita domiciliar, etc.)
- Qualificar equipes do pré-natal, maternidades, Atenção Primária, CRIE e ambulatórios de seguimento de forma permanente.
- Fortalecer a comunicação com as famílias utilizando as UBS, maternidades, creches, rádio, TV, redes sociais e demais canais do município.
- Integrar maternidades, APS, ambulatórios de seguimento, CRIE e Secretaria Estadual de Saúde.
- Monitorar os indicadores e registrar corretamente todas as aplicações.
- Ouvir as famílias e construir soluções em parceria com a sociedade civil e o Conselho Municipal de Saúde.
Garantir que a informação chegue às famílias e que a rede esteja preparada para acolher essas crianças é tão importante quanto disponibilizar a tecnologia. Quando os fluxos funcionam, a política pública deixa de existir apenas no papel e passa a proteger, de fato, quem mais precisa.
A proteção das crianças mais vulneráveis não depende apenas da existência de uma tecnologia. Ela depende de uma rede organizada, de profissionais preparados e de gestores comprometidos em fazer com que essa proteção chegue, no tempo certo, a todas as famílias que dela precisam.
Referências:
NOTA TÉCNICA Nº 109/2025-CGICI/DPNI/SVSA/MS
Estratégia de imunização contra o vírus sincicial respiratório para crianças prematuras e com comorbidades :anticorpo monoclonal [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, Departamento do Programa Nacional de Imunizações. – Brasília : Ministério da Saúde, 2026


