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16.07.2026

ONG Prematuridade.com participa de debate sobre proteção infantil no SUS no Congresso do CONASEMS

Entre os dias 12 e 15 de julho, Porto Alegre sediou o 39º Congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), considerado o maior encontro de gestão em saúde pública do país. Os pavilhões da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), em Porto Alegre, reuniu mais de 12 mil participantes, entre secretários municipais de Saúde, gestores, profissionais, pesquisadores, representantes do Ministério da Saúde, entidades científicas e organizações da sociedade civil para discutir estratégias capazes de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), ampliar o acesso à saúde e compartilhar experiências bem-sucedidas desenvolvidas pelos municípios brasileiros.

A ONG Prematuridade.com esteve presente durante toda a programação, participando de reuniões, dialogando com gestores municipais de todo o país, fortalecendo parcerias estratégicas e defendendo a inclusão das necessidades dos bebês prematuros e de outras crianças em maior situação de vulnerabilidade nas políticas públicas de saúde.

No dia 15 de julho, das 9h às 10h, Denise Suguitani, fundadora e presidente da ONG Prematuridade.com, participou do painel "VSR e bronquiolite: construindo caminhos para a proteção infantil no SUS". O debate foi moderado pela Dra. Margareth Dalcolmo, uma das maiores referências brasileiras em pneumologia e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reconhecida nacional e internacionalmente por sua atuação em doenças respiratórias e em políticas públicas de saúde. Também participou do painel o Dr. Renato Kfouri, pediatra, infectologista, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e membro do Conselho Científico da ONG Prematuridade.com.

Enquanto o Dr. Renato Kfouri apresentou o cenário epidemiológico do vírus sincicial respiratório (VSR) e as estratégias atualmente disponíveis para sua prevenção, Denise levou ao palco a perspectiva das famílias, mostrando que ampliar o acesso às tecnologias em saúde depende, antes de tudo, de informação de qualidade, organização dos fluxos assistenciais e comunicação eficiente entre os serviços de saúde e a população.

Informação transforma política pública em proteção

Durante sua apresentação, Denise destacou que famílias de bebês prematuros frequentemente vivenciam experiências traumáticas durante a internação neonatal e apresentam maior risco de desenvolver estresse pós-traumático. Nesse contexto, compreender as dúvidas, os medos e a hesitação diante de novas estratégias de prevenção é fundamental para que a comunicação em saúde seja realmente efetiva.

Segundo ela, a informação precisa chegar às famílias de forma simples, clara, objetiva e no momento oportuno, respeitando o contexto emocional vivido por quem acabou de enfrentar uma internação em UTI Neonatal.

Outro ponto apresentado foi que hoje o SUS conta com duas estratégias complementares para prevenção das formas graves de VSR: a vacinação materna durante a gestação e a imunização com anticorpo monoclonal destinada aos bebês elegíveis, especialmente prematuros e crianças com condições clínicas de maior risco.

Enquanto a vacinação materna vem recebendo ampla divulgação e alcançou cobertura próxima de 82% em maio de 2026, segundo dados do Ministério da Saúde, o conhecimento sobre o anticorpo monoclonal ainda permanece limitado entre as famílias.

Uma pesquisa conduzida por um coletivo formado por 11 associações de pacientes, entre elas a ONG Prematuridade.com, envolvendo 83 famílias de 15 estados brasileiros, revelou que 39% dos participantes nunca haviam ouvido falar dessa estratégia de prevenção. Além disso, 53% afirmaram não ter recebido qualquer orientação do médico ou profissional de saúde responsável pelo acompanhamento da criança. Entre aqueles que conheciam o anticorpo, apenas 16% receberam essa informação por meio da Atenção Primária à Saúde ou de outro serviço da rede pública.

A apresentação também trouxe um levantamento nacional realizado pelo mesmo coletivo utilizando dados públicos do Governo Federal, acessados em 30 de junho de 2026. O estudo mostrou que, das 253.460 doses distribuídas do anticorpo monoclonal, apenas 113.894 haviam sido aplicadas, correspondendo a uma taxa nacional de aproveitamento de 44,9%. Em outras palavras, mais da metade das doses ainda não havia chegado aos bebês que têm direito à proteção.

Entre os estados com os menores percentuais de aplicação em relação às doses distribuídas destacam-se Pará (16%), Maranhão (30%), Roraima (33%), Acre (36%), Alagoas (36%), Amazonas (36%), Rondônia (37%), Bahia (39%), Mato Grosso (39%) e Piauí (39%).

Ao encerrar sua participação, Denise reforçou que ampliar a proteção infantil depende não apenas da incorporação de novas tecnologias pelo SUS, mas também da organização dos fluxos assistenciais, da capacitação contínua das equipes e da comunicação adequada com as famílias.

"A informação é o que transforma política pública em proteção."

Se você é gestor municipal e deseja conhecer quem tem direito ao anticorpo monoclonal pelo SUS, entender como funciona o fluxo de acesso e conferir ações práticas que podem aumentar a cobertura da imunização em seu município, acesse o material que preparamos especialmente para apoiar a gestão local: Prevenção do VSR: como os municípios podem fortalecer a proteção dos bebês mais vulneráveis

Agradecemos à Sanofi pelo convite para participar do painel e à Chiesi pelo convite para fazermos parte do Congresso.

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