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Histórias reais: os guerreiros Felipe e Alice

04/06/2011



     Este texto retirado da Revista Crescer não é apenas uma história real; é também um relato muito bem escrito por uma mãe que viu seus dois filhos passarem por uma UTI Neonatal. Um relato riquíssimo para família, amigos e profissionais de saúde, e que enche de esperança aqueles que estão passando por situações semelhantes. Vale a pena ler!
     Um beijo e bom final de semana,

     Denise.








     "Todo mundo conhece alguém que teve um filho prematuro...a irmã da colega de trabalho, a prima do marido da tia, a sobrinha da vizinha... e por aí vai.
     Mas quando acontece com alguém bem próximo tudo soa muito estranho. Afinal, pelas regras ditadas na nossa sociedade: o bebê tem que nascer rechonchudo, as lembrancinhas de "Adorei a sua visita" tem que ser distribuídas no outro dia de nascido, ele tem que dormir ao lado da mãe na maternidade e é claro: você tem que sair do hospital com o seu filho nos braços com toda pompa e circunstância como o primeiro grande evento da maternidade pós-nascimento. Mas aí nada disso acontece. E parece estranho para todo mundo. Até a enfermeira desavisada da maternidade lhe pergunta: "Ué, cadê o bebê?". Pois o bebê é um guerreiro, lutando pela vida dentro de uma UTI Neonatal, provavelmente ainda precisando de respiração artificial, de ganhar peso, de driblar as infecções hospitalares, de passar por cirurgias.

     É incrível as pessoas ao redor não se darem conta de que existe, sim, uma grande quantidade de crianças que nasce prematuras e sobrevive bem... graças a uma medicina avançada, cheia de recursos. Pode dar notícia em jornal os bebês que nascem com 500 gramas (realmente não tão comuns), mas os de um quilo... estão por aí... reagindo, vencendo, apesar de não seguirem os padrões de receberem as visitas assim que nascem e de os pais não poderem avisar com orgulho que o filho " já nasceu criado, com 4 quilos e tanto". A pior pergunta que alguém pode fazer aos pais de um recém-nascido prematuro é: "Quando ele vai para casa?". Porque a resposta é uma só: "Não sabemos". São tantas as variáveis até o bebê estar pronto para deixar a encubadoura (que eu chamo de "segundo útero") que não pode existir pressão.

     Felipe está com 6 anos e passou oito dias numa UTI Neonatal. Ele nasceu até grandinho, mas teve um desconforto pulmonar. Eu e meu marido passamos todas as agruras de ver um serzinho frágil que ainda não estava pronto para sair do hospital. Agora é a nossa filha Alice, que nasceu no dia 9 de abril, que está na mesma UTI. Ela veio antes da hora e, por isso, com baixo peso. Reage bem, mas só pode sair depois que engordar. É uma lutadora. Temos certeza disso. A confiança de que Deus e uma excelente equipe médica estão no controle nos ajuda a aguardar um dia após o outro. Não tive a grata experiência de estar com os meus filhos desde os primeiros dias, curtindo o quartinho, a queda do umbigo, os primeiros banhos. Em vez de me deliciar com os primeiro sorriso, fico eufórica com o primeiro dia sem o aparelho de respiração. Em vez de curtir uma roupinha nova, me encanto com o lençolzinho colorido da encubadoura, já que os prematurinhos não vestem roupa numa UTI.

     Converso com Alice e lhe conto tudo que está acontecendo. Repito infinitas vezes que ela é linda, corajosa e muito amada. O meu maior presente depois que ela nasceu? Foi poder segurá-la nos braços, depois de uma semana de nascida. Somos todos pais: amorosos, preocupados, tentando acertar e nem sempre conseguindo. Mas pais de bebês prematuros têm um diferencial: enxergam o filho com uma lupa... cada ínfimo detalhe de progresso é comemorado com uma emoção indescritível. Chorei feito criança no momento em que pude ter Alice nos braços. Sei que ainda vão existir outras lágrimas... mas tenho a certeza e a fé necessárias para saber que o pote das alegrias é o que vai transbordar!"



     Fabiana Santos, jornalista, mãe da Alice e do Felipe.



Fonte: RevistaCrescer.com.br (http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI231806-15150,00-OS+PEQUENOS+GUERREIROS.html)





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