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Em caso inédito, nasce primeiro bebê de útero transplantado

22/10/2014

Nasceu em setembro na Suécia o primeiro bebê após um transplante de útero. Apesar do procedimento não ser inédito – já foram realizados onze desse tipo no mundo –, esse é o primeiro nascimento registrado. A mulher, de 36 anos, sofre da Síndrome de Rokitansky, caracterizada pela ausência do útero, e antes só poderia ser mãe por meio de adoção ou de uma barriga de aluguel.  Com a doação de uma amiga próxima da família, de 61 anos, mãe de dois filhos e que já estava na menopausa há sete anos, o transplante foi realizado em 2013. Ela foi uma das nove suecas que receberam um transplante desse órgão no ano passado. A identidade do casal da Suécia não foi revelada.

A paciente, que tinha ovários que funcionavam perfeitamente, teve o primeiro ciclo menstrual 43 dias após o transplante e, após um ano da cirurgia, a fertilização in vitro foi realizada. A gestação se desenvolveu com normalidade. A mulher só teve três leves episódios de rejeição do útero durante a gravidez, algo habitual em transplantes, o que foi combatido com tratamento imunossupressor.

[caption id="attachment_15222" align="alignright" width="300"]O bebê nasceu prematuro, de parto cesárea, com 31 semanas e 5 dias, pesando 1,775 quilos e medindo 40 centímetros, números considerados normais para a idade gestacional. (Foto: Reprodução/The Lancet) O bebê nasceu prematuro, de parto cesárea, com 31 semanas e 5 dias, pesando 1,775 quilos e medindo 40 centímetros, números considerados normais para a idade gestacional. (Foto: Reprodução/The Lancet)[/caption]

O bebê, de sexo masculino, nasceu prematuro, de parto cesárea, com 31 semanas e 5 dias, pesando 1,775 quilos e medindo 40 centímetros, números considerados normais para a idade gestacional. A mãe deixou o hospital três dias após o parto, enquanto a criança recebeu alta da unidade neonatal dez dias depois do nascimento. O pai disse que o bebê é "incrível" e que ele e a mãe passam bem. "O bebê chorou assim que nasceu e não necessitou nenhum outro atendimento que não fosse o habitual. Os pais estão, obviamente, muito felizes e agradecidos", disse o professor Mats Bränsntröm, líder do projeto. A equipe da Universidade de Gotemburgo divulgou um vídeo no qual narram todo o processo que levou ao nascimento desse bebê.

Assista aqui (em inglês):

O casal foi submetido a fertilização in vitro para produzir 11 embriões, que foram congelados. Depois, os médicos da universidade fizeram o transplante de útero e usaram medicamentos para impedir que o sistema imunológico da mulher rejeitasse o novo órgão. Um ano após o transplante, a equipe médica decidiu que era possível utilizar um dos embriões da paciente, que conseguiu engravidar e dar à luz. Em entrevista anônima à Associated Press, o pai disse que "a jornada foi muito difícil nos últimos anos, mas agora temos um bebê incrível. Ele não é diferente de nenhuma criança, mas temos uma boa história para contar".

A Universidade de Gotemburgo explicou em nota que esse projeto começou em 1999. A ideia era permitir que mulheres que nasceram sem útero ou que o perderam devido a tumores pudessem ser mães. Nas outras tentativas realizadas, o útero transplantado precisou ser retirado em duas ocasiões – numa delas devido a uma infecção, e na outra por causa de problemas vasculares. Neste ano, mais sete mulheres conseguiram engravidar, além daquela que acaba de dar à luz.

Em casos de transplante de útero, a orientação é a de que ele seja removido depois de uma ou duas gestações, para evitar os efeitos a longo prazo dos medicamentos usados para evitar a rejeição do órgão transplantado. No artigo publicado no site da revista médica britânica The Lancet pelos pesquisadores responsáveis, liderados pelo professor de obstetrícia e ginecologia da Universidade de Gotemburgo, Matts Brännstörm, eles dizem que “a demonstração do primeiro nascimento após um transplante de útero abre possibilidades para tratar muitas mulheres inférteis por fatores uterinos no mundo todo”.

[caption id="attachment_15223" align="alignleft" width="300"]Equipe médica sueca realizando um transplante de útero em abril. (Foto:  Johan Winborg/AP) Equipe médica sueca realizando um transplante de útero em abril. (Foto: Johan Winborg/AP)[/caption]

Útero
Tratamentos contra o câncer e males congênitos são as principais causas de problemas no útero. Para muitas mulheres que querem ter filhos, a opção acaba sendo usar uma barriga de aluguel.

Antes do caso sueco, duas outras equipes médicas haviam tentado realizar transplantes de útero. Em uma das tentativas, o órgão adoeceu e teve de ser removido após três meses. Na segunda, a mulher receptora do transplante sofreu abortos espontâneos.

Por conta desse histórico, Mats Brannstrom, que liderou a equipe sueca, descreveu o parto inédito com alegria. "Foi uma felicidade fantástica para mim e para toda a equipe. Foi uma sensação surreal, também porque não conseguíamos acreditar que havíamos chegado naquele momento. Nosso sucesso é baseado em mais de dez anos de intensas pesquisas animais e treinamentos cirúrgicos e abre a possibilidade de tratar muitas jovens com problemas de infertilidade uterina no mundo", afirmou. "Além disso, demonstramos a viabilidade do transplante de útero de uma doadora viva, mesmo quando esta última se encontra na menopausa", completou.

No entanto, ainda há dúvidas quanto à segurança e a efetividade do procedimento, considerado invasivo. Brannstrom e sua equipe agora estão acompanhando oito casais com problemas similares ao primeiro. Os resultados desses casos darão mais pistas quanto ao uso mais amplo da técnica de transplante.

O médico Allan Pacey, presidente da Sociedade Britânica de Fertilidade, disse à BBC News que o êxito do caso sueco "é revolucionário e abre uma porta para muitas mulheres inférteis. É um passo para mudança. A questão é se (o tratamento) pode ser realizado repetidamente, de forma confiável e segura".

Mas o casal que celebra o nascimento do bebê terá que decidir, em breve, se quer um segundo filho. Isso porque os remédios usados para prevenir a rejeição do útero podem ser danosos no longo prazo - ou seja, o casal terá que tentar uma nova gravidez ou remover o útero transplantado.

Fonte: Crescer, BBC Brasil, Bem Estar e El País Brasil.


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