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Decisão de pais de bebê prematuro gera polêmica na sociedade

17/09/2014


Notícia original publicada em 17 de setembro de 2014.

por Christopher Marques

[caption id="attachment_14993" align="alignright" width="300"]Pais pedem que reanimação de bebê prematuro seja interrompida. (Foto: Shi Tou/Reuters) Pais pedem que reanimação de bebê prematuro seja interrompida. (Foto: Shi Tou/Reuters)[/caption]

Os avanços médicos aumentaram a esperança de sobrevivência para os bebês prematuros. Mas trouxeram novas questões éticas devido às sequelas a que estes podem ficar condenados. Na França, o nascimento do pequeno Titouan colocou a questão na ordem do dia. São os próprios pais que pedem para desligar as máquinas.

No dia 31 de Agosto, o pequeno Titouan chegava ao mundo. Quatro meses antes do que estava planejado e com apenas 900 gramas, a criança nasceu no centro hospitalar de Poitiers, em França. Um caso já clinicamente complexo que acabou se tornando ainda mais difícil: ao nascer, Titouan teve uma hemorragia cerebral interna do qual os médicos não conseguem, ainda, prever as consequências.

Diante da dificuldade de previsão dos médicos, são os próprios pais que pedem o desligar das máquinas, noticia o jornal francês Le Figaro. “Não queremos uma vida de deficiência para o nosso filho”, dizem os pais. Os médicos não lhes garantem a sobrevivência do filho, nem lhes dão certezas sobre o grau de deficiência com que Titouan deverá ficar, caso consiga sobreviver. Apontam para que seja elevado, o que leva os pais a acreditar que o recém-nascido está condenado a uma vida em sofrimento.

"Uma decisão precipitada"
Os médicos apresentam-se como mais cautelosos, e preferem aguardar. Os responsáveis do centro hospitalar de Poitiers acreditam que o desejo dos pais é fruto da emoção e da situação particularmente difícil, mas que não existem ainda elementos para tomar uma decisão: “Não podemos interromper os cuidados médicos a um prematuro apenas porque esse é o desejo dos pais”, referiu Fabrice Pierre, um dos responsáveis pelo centro hospitalar. “Compreendemos a situação dos pais, mas é necessário acompanhá-los e sobretudo não tomar uma decisão precipitada”, concluiu o médico.

A opinião sobre o que fazer nestas situações divide a própria comunidade científica, que apela sobretudo à cautela. Ao jornal Le Monde, Christian Dageville, responsável pelo serviço de reanimação neonatal em Nice, considera razoável que os cuidados médicos a um bebê prematuro possam ser descontinuados, se esse é o desejo dos pais. No entanto, considera que essa pode ser uma “decisão precipitada”. Uma atitude que, considera o médico, tornará mais difícil a vivência do próprio luto, uma vez que os pais poderão associar a morte da criança à sua própria decisão.

O corpo médico do hospital de Poitiers continuará a acompanhar a situação, para tentar perceber as sequelas com que Titouan poderá ficar. Por agora, e perante à insistência dos pais, foi pedido um parecer a um grupo de ética dos Hospitais de Paris que deverá ser divulgado em breve.

Fonte: RTP


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