

02 de Abril de 2026
Mãe de prematuro
Eu sou uma mãe comum, mas minha vida mudou para sempre quando meu bebê nasceu com apenas 25 semanas de gestação. Prematuro extremo, ele veio ao mundo pesando pouco mais de 1 kg e 35 g, lutando pela vida desde o primeiro respiro.
Viajei 500 km para uma maternidade de referência, onde passei um mês e meio internada até o dia do parto (na verdade, foi de urgência) e mais três meses internada ao lado dele, na UTI neonatal. Cada dia era uma montanha-russa: máquinas apitando, médicos correndo, e eu, impotente, só podendo tocar sua mãozinha minúscula através da incubadora.
Ele ainda passou por uma cirurgia e, aos poucos, milagres foram acontecendo. Voltamos para casa após esses quatro meses intensos, mas a batalha não acabou. Logo no primeiro mês seguinte, enfrentei o maior vazio: sem apoio local, sem profissionais especializados na minha cidade.
Prematuros como o meu precisam de cuidados intensos: fisioterapia motora, fonoaudiologia, acompanhamento oftalmológico, otorrinolaringológico, neurológico, pneumológico, gastro pediátrico, nutricional, entre vários outros, para se desenvolverem saudáveis e fortes. Aqui, não havia nada disso.
Corria atrás de consultas distantes por não ter aqui uma rede de suporte que ele merece, pois meu filho tem 8 meses de idade cronológica e cinco meses e alguns dias de idade corrigida. Ele precisa de todos esses acompanhamentos até dois anos de idade.
Hoje, reflito sobre isso com o coração apertado, mas também com orgulho. Meu prematuro é um guerreiro, e eu aprendi que o sistema de saúde falha com muitas mães como eu. Precisamos de mais UTIs neonatais regionais, equipes multidisciplinares em cidades menores e políticas que não deixem famílias abandonadas após a alta.
Compartilho isso para que outras mães não passem pelo mesmo desamparo.


