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Uma família, dois milagres

02/01/2014

“Desde que nos casamos, já sabíamos que enfrentaríamos dificuldades para realizar o sonho de termos filhos, pois um problema renal fez com que eu me tornasse hipertensa e, além disso, o meu útero é bicorno e retrovertido. A médica explicou que nesses casos pode haver maior dificuldade de engravidar e em manter a gestação. A despeito de todas as dificuldades, oramos ao Senhor e decidimos tentar. Engravidei sem necessidade de tratamento e a gestação transcorria sem complicação alguma. Porém, ao 5º mês de gestação, o bebê (era um menino) veio a óbito. O cordão umbilical torceu, cessando o fluxo de nutrientes da placenta até ele, e, então, faleceu ainda no ventre. Foi muito doloroso. Passei por parto natural induzido para tirar o bebê.

Passado um ano, decidimos tentar mais uma vez, e, novamente, sem tratamento, engravidei. Mas, já no início tive uma hemorragia severa, o que fez com que eu ficasse internada por 40 dias para tentar segurar o bebê. Neste período, descobrimos que era uma menina e tomei muitos medicamentos para conter a hemorragia, pois os coágulos poderiam fazer com que a bolsa amniótica descolasse da parede uterina. Graças a Deus, a hemorragia parou, porém, ainda havia um coágulo no útero e, mesmo após a alta hospitalar, o acompanhamento pré-natal era quinzenal e não mensal.

Às 25 semanas de gestação, o colo dilatou e fomos ao hospital onde eu fazia o pré-natal. Os médicos constataram que o trabalho de parto havia começado e não tinha como retardar o nascimento. Eles rapidamente entraram em contato com hospitais especializados com UTI Neonatal e só conseguiram vaga em um hospital de uma cidade vizinha. Fui levada de ambulância e chegando ao hospital, enquanto os médicos me preparavam para a cesariana (por precaução, foi feita cesariana, pois naquela idade gestacional seria difícil que a bebê sobrevivesse ao parto natural), o meu marido assinava documentos atestando que estava ciente que a intervenção poderia não obter sucesso e que, na melhor das hipóteses, a bebê teria várias sequelas devido a prematuridade extrema.

Ainda não havíamos escolhido o nome da criança e, após acordar da anestesia geral, vi o meu marido ao meu lado e perguntei a ele da criança. Ele disse que ela era muito pequena, pesava somente 766 gramas  e 31,5 cm. Uma bonequinha extremamente delicada. Disse ainda que precisaríamos pedir por um milagre, devido a gravidade da situação. Foi quando decidimos dar-lhe o nome de Thalita, lembrando-nos da menina que Jesus ressuscitou, pois o fato de ela ter sobrevivido para nós era como se Ele tivesse concedido a chance dela estar viva.

Ela estava intubada para poder respirar e se alimentar. Passado uns dias de seu nascimento, ela teve princípio de enterocolite e precisou passar pelo seu "primeiro jejum". Foram 24 horas sem ser alimentada, na qual recebia somente administração de antibióticos para conter a inflamação no intestino. Chegou a pesar 625 gramas e o peso subiu muito lentamente, pois, além desse contratempo, ela tinha PCA (persistência do canal arterial) que impedia que os médicos aumentassem a dose diária de leite.

Passado o susto do problema com o intestino, veio a notícia que ela teve uma hemorragia intracraniana e que só mais adiante eles poderiam avaliar as sequelas. Ficamos muito preocupados, mas crendo que Deus tinha um propósito especial na vida de nossa filhinha e que ela venceria para ser testemunha viva do Seu poder. Depois de um tempo, ela passou por uma cirurgia à laser nos olhos para evitar o descolamento da retina por causa da retinopatia da prematuridade. Caso isso acontecesse, ela ficaria cega ou com a visão muito comprometida.

Foram 122 dias de UTI Neonatal e, antes da alta hospitalar, foi submetida ainda a uma ressonância magnética, na qual foi constatado que a hemorragia intracraniana havia deixado uma lesão no hemisfério esquerdo do cérebro, afetando a coordenação motora do lado direito. O neuropediatra nos alertou para a possibilidade de ela não andar, mas continuamos confiando em Deus. Outra situação que aconteceu foi que, mesmo com as medicações, a PCA não regredia, e, se 1 mês após a alta não fechasse, ela voltaria ao hospital para operar. No retorno, para a surpresa do médico, o canal havia fechado sozinho e não haveria necessidade de cirurgia.

Ela fazia acompanhamento mensal no neuropediatra e ele não nos dava muitas esperanças. Então, o dia que cheguei ao consultório, que a coloquei no chão e ela começou andar com 1 ano e meio, ele ficou um tanto quanto constrangido, e nós dissemos que era Deus quem havia fortalecido os músculos de nossa filha. Ela ainda faz fisioterapia, mas outro médico, que viu o laudo dela, disse para agradecermos a Deus, pois isso não era nada, afinal, ela poderia estar até hoje sem andar.

Minha filha é muito saudável, nunca foi internada e não tem qualquer problema respiratório, algo que seria comum, pois ela ficou muito tempo intubada e isso afeta a capacidade pulmonar. Thalita sempre foi uma menina doce e possui uma fé genuína. Ela sempre pediu por um irmãozinho, e, em 2010, quando ela tinha 5 anos, engravidei, mas aos 3 meses o bebê faleceu, com um problema congênito chamado gastrosquise. Novamente, passei por um parto natural induzido para trazer ao mundo um bebezinho já sem vida. Thalita ficou muito triste e sempre orava a Deus por um irmãozinho.

Um dia, ela nos disse que Deus daria a ela um irmãozinho que se chamaria Davi, e, em 2012, Deus atendeu a oração dela e fiquei grávida. No entanto, tive complicações desde o início. Foram 2 meses de internação devido a hemorragia, mais 2 de repouso absoluto e cerclagem no colo do útero. Às 25 semanas, durante o exame, o médico detectou um problema na placenta, na qual ela havia aderido bem no local onde o útero tem uma espécie de prega. Fui internada em uma UTI materno fetal para manter a gestação.

Então, às 27 semanas, a placenta descolou e os médicos tiveram que fazer uma cesariana de emergência para salvar o Davi. Ele veio pequenino como a irmã, com 770 gramas e 32,5 cm. Revivemos todas aquelas emoções fortes de medo e alegria por ter nosso bebezinho, mas, dessa vez, mais confiantes ainda, pois já tínhamos uma prova da fidelidade de Deus em nossas vidas. Apesar de tão pequeno, ele se mostrou um guerreiro e lutou contra seu gigante e venceu!

Assim como a irmã, precisou ser intubado para respirar e se alimentar, mas a recuperação foi bem mais rápida. Davi ficou 107 dias na UTI Neonatal e, milagrosamente, não houve nenhuma intercorrência, contrariando todas as expectativas advindas de um nascimento tão prematuro. Hoje, temos nossos dois milagres em casa e sempre agradecemos a Deus por sua bondade para com a nossa família. Agradecemos a Ele por dar sabedoria aos médicos e toda a equipe que cuida desses bebezinhos tão pequeninos.

As fotos são do aniversário do Davi. Ele nasceu dia 16 de novembro de 2012, mas comemoramos o primeiro aninho dia 17, o Dia Mundial da Prematuridade. A Thalita nasceu dia 26 de setembro de 2005. Ambos nasceram no Japão e, além dos desafios de aprender todos aqueles termos médicos, ainda tivemos que aprender em japonês. Foi uma fase de muitos desafios, mas, enfim, aprendemos muita coisa e pudemos ver o quanto vale a pena confiar em Deus e estar amparado por bons profissionais!”

Viviane, mãe da Thalita e do Davi

Abaixo seguem vídeos lindos em homenagem aos pequenos:

Thalita:

Davi:

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