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Isaac, um exemplo de força

12/12/2013

“Olá, o meu nome é Jussiara e tenho 27 anos. Eu me casei em maio de 2012 e logo quis engravidar, pois tinha o grande sonho de ser mãe. Parei de tomar o anticoncepcional em julho do mesmo ano e, em setembro, descobri a gravidez. Foi uma felicidade total e comemorei muito ter dado certo tão rápido. Tive uma gravidez muito tranquila e não senti enjoos e tonteira, sendo que a única coisa que manifestei foi uma azia sem fim. Tudo seguia normal até o quinto mês. Eu tinha engordado somente 4 kg e todos os ultrassons eram perfeitos.

De repente, no fim do quinto mês, comecei a inchar demais e ganhei 5 kg em aproximadamente 3 semanas. Juntamente com isso, senti o meu bebê parar de mexer. No entanto, como grávida de primeira viagem, achava que isso era normal da gravidez. Em uma consulta de rotina, o médico achou estranho tanto ganho de peso e me pediu um ultrassom para ver um possível desenvolvimento de pré-eclâmpsia. Marquei o exame para uma semana depois da consulta e, como estava com minhas fotos marcadas, fui tirá-las. Quando estava fazendo o ultra, me senti aliviada com o médico dizendo que estava tudo normal. Mas, de repente, ele ligou o Doppler e mudou a sua expressão. Ele me perguntou se tinha pressão alta e eu digo que não, pois ela sempre foi baixa. Ele me entregou o resultado e pediu para que eu levasse urgentemente para o meu ginecologista.

Quando eu cheguei no meu médico, ele disse: “Vamos ter que tirar o bebê!”. Já havia centralização de fluxo e líquido amniótico quase zero. Nessa hora, o meu mundo caiu! Ele me receitou duas injeções de corticóide e faria o parto no dia seguinte bem cedo. Na verdade, o médico queria fazer no mesmo dia, mas ligou para o ultrassonografista perguntando se dava para esperar mais um dia para que eu tomasse as injeções e assim Isaac tivesse mais chances de sobreviver. Este disse que sim e foi feito desta forma.

No outro dia, pela manhã, cheguei ao consultório e o médico me encaminhou para a Santa Casa. Olhei para ele e perguntei quais as chances de vida do meu bebê. Ouvi como resposta “de 50% a 60%”. Nesta hora, disparei a chorar e fui para o hospital. Às 9h40min da manhã, do dia 13 de março de 2013, com 29 semanas, 905 gramas e 37 cm, nasceu o meu Isaac. Tão pequenino e magrinho que eu só chorava. Não esqueço a frase do médico quando ele nasceu: “Mas que neném pequenininho, gente!”. Mal pude vê-lo e ele foi levado correndo para a UTI Neo. Neste dia, começava uma guerra diária.

Foram 70 dias no hospital onde ele teve de quase tudo um pouco. Sepse por bactéria (ele só respondeu ao último esquema de antibióticos) e por fungo, icterícia, 2 transfusões, várias bradicardias com e sem queda de saturação e depois várias quedas de saturação. Ele saiu e voltou para o tubo endotraqueal 3 vezes, ficou no CPAP, catéter nasal e mangueirinha de látex. Dos 70 dias de internação, ele usou oxigênio mais ou menos 50 dias. A rotina da UTI era bem penosa. Eu ia 3 vezes ao dia, na qual duas delas eu o via e na última ia levar leite pra ele.

Em um mesmo dia, já tive três notícias diferentes. Às vezes me alegrava de manhã e ia dormir aos prantos. Eu chegava no hospital e, quando pegava aquele corredor de acesso, vinha um frio na minha barriga e eu tinha medo de chegar até o fim dele e ouvir alguma notícia ruim. Toda vez que o meu telefone tocava, o meu estômago doía de tanto nervoso. Quando, enfim, eu entrava na sala e seguia ao leito 7, tinha medo de descobrir sua incubadora e ver alguma coisa ruim. Olhava para aqueles monitores o tempo todo em busca de uma normalidade constante. Eu me sentia a mulher mais impotente do mundo. Não tinha vontade de sorrir, sair, comer, brincar... Sempre que chegava em casa, a noite, ia para o Prematuridade.com ler relatos para encontrar esperança e, por isso, quis compartilhar com todas as mamães minha história.

Enfim, dia 14 de maio, ele foi para a ala intermediária e dia 21 ele teve alta pesando 1,980 kg. Mal pude acreditar que tínhamos conseguido e que meu filho iria para casa bem e a salvo. Me dediquei em tempo integral a ele para que a sua recuperação fosse rápida, e faço isso até hoje. Com um mês que ele estava em casa, descobri uma hérnia inguinal e nunca conseguíamos operar, pois ele estava anêmico e seu tempo de protrombina estava sempre abaixo do normal e, assim, o cirurgião não queria arriscar. Fizemos mais uma transfusão que melhorou a anemia, mas em nada o tempo de protrombina. Até que um belo sábado de manhã, quando ele estava com 5 meses e meio, ela encarcera e temos que ir correndo a Santa Casa. Graças a Deus, ocorreu tudo bem. Ele ficou um dia na UTI por precaução e no domingo a tarde estávamos em casa.

Ainda hoje me lembro de estar chorando no quarto da Santa Casa após a cesária e o obstetra olhar pra mim e dizer que eu tinha que agradecer a Deus, pois mais três dias sem descobrir a pré-eclâmpsia, o meu filho e eu poderíamos não estar mais aqui. Hoje, graças a Deus, à eficiência do obstetra e a maravilhosa equipe da UTI Neonatal da Santa Casa de Misericórdia de São João del Rei (MG), Isaac está com 7 meses, 62,5 cm, 6,5 kg, com uma saúde de leão e sem sequelas. Acredito que nada nessa vida é por acaso e que, nós, mães de UTI, temos uma força maior e que Deus sabe o que faz. Pois, depois dessa experiência, sou mais madura e encaro a vida de outra forma. Digo a todas as mamães que estão passando por esse momento para que não desistam dos seus filhos, porque eles são mais fortes que imaginamos. Precisamos nos superar em força diariamente para que consigamos lidar com tamanho sofrimento. Essa é a história do meu Isaac, filho da promessa.”

Jussiara, mãe do Isaac

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