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Gastrosquise e prematuridade: a história de Felipe

28/01/2013


Impossível não se arrepiar de emoção com a história do Felipe! Fé, luta, vontade de viver, MILAGRE! Sim, eles acontecem!!! E podem vir precedidos de mensagens inesperadas e inexplicáveis... A Paulinha, mãe do Felipe, sabe bem disso... Obrigada mais uma vez, querida Paula, por dividir conosco o teu maior milagre. Um beijão pra vocês e saúde sempre!

"Todos os dias eu leio e me emociono muito com cada história. Hoje resolvi dividir a minha com vocês.

Meu nome é Paula e tenho um filho que hoje está com 4 anos e 3 meses. Ele lutou muito pela vida e, por isso, tenho certeza de que fui escolhida pra ser mãe de anjo.

Descobri que estava grávida quando eu tinha 24 anos, em uma consulta de rotina ao ginecologista. Como eu fazia tratamento para depressão há dois anos, os remédios alteravam muito o meu ciclo menstrual. Fui encaminhada para fazer um ultrassom de urgência e já estava com 19 semanas de gestação, ou seja, quase cinco meses. Até então, estava tudo bem com o bebê e o pré-natal trans corria normalmente.

Nesse primeiro momento, sofri muito. Foi difícil para o meu pai entender que eu estava grávida, desempregada e solteira. Meu relacionamento estava bastante abalado e eu já não tinha mais nenhum dos meus amigos, somente a minha cunhada Araceli (uma pessoa que eu julguei e condenei muito, porém a única que nunca me deu as costas). Nesse período ela trabalhava em um consultório de medicina alternativa e conseguiu um acompanhamento psicológico com uma Doula (psicóloga de gestantes "Lara Gordon"). Isso foi a minha esperança, meu maior conforto.

Quando completei 6 meses de gestação, resolvi pagar um ultrassom para guardar as imagens do bebê. Durante o exame, todas as médicas que me atendiam diziam: "Alguma coisa está errada, mas não dá pra identificar o que". Repeti os exames 3 vezes. A última pessoa que me atendeu era estagiária da Unicamp e me encaminhou para o pré-natal de alto risco. Foram 4 dias de loucura até que descobri a gastrosquise. Por instantes eu perdi completamente os sentidos, o chão saiu dos meus pés.

Na UNICAMP, o atendimento foi incrível. Todas as gestantes contavam com um acompanhamento muito detalhado e ainda com um grupo maravilhoso de psicólogas. Tive a oportunidade de conhecer a UTI Neonatal e mães que passavam por esse mesmo dilema. Durante 1 mês, fiz exame pré-natal a cada 15 dias, depois toda semana e, ao completar 35 semanas, 2 vezes por semana.

Assim como muitas mães, eu também tive a curiosidade de procurar no Google maiores informações sobre o que estava se passando e quase infartei com as imagens que encontrei. Meu Deus, que loucura! Eu juro que, por mais fé que eu tivesse, ainda era muito difícil entender como seria possível fazer uma cirurgia de grande porte em uma criança tão pequena. Eu não conseguia imaginar como tudo aquilo caberia de volta na barriguinha dele.

No dia 29 de junho, fui a uma festa com minha prima Carla. Voltei para casa ótima e na segunda feira, dia 30, fui para uma consulta de pré- natal. Chegando ao médico, senti um chute muito forte na barriga. Depois o bebê parou de mexer. O médico logo me mandou para uma sala de monitoramento e descobrimos que os batimentos cardíacos do Felipe estavam caindo cada vez mais. Às 13 horas, me internaram e passei o resto do dia em observação.

No dia seguinte, o médico constatou que meu bebê estava se cansando muito. Não aguentaria mais um dia na barriga. Então decidiram que Felipe iria nascer naquele momento. Foi uma loucura. Tive de avisar a família e correr contra o tempo, pois estava com 36 semanas e meu parto estava previsto para 38 semanas.

Às 16 horas e 39 minutos do dia 1º de julho de 2008, nascia meu anjo com 46 centímetros e pesando 2.440g. Ele veio ao mundo com asfixia, praticamente morto, sem nenhuma reação, sem choro. Rapidamente foi retirado da sala de parto e entubado. Recuperou os sinais vitais depois de 30 minutos. Naquele momento, o desespero tomava conta de mim, mas entreguei meu filho nas mãos de Deus. Somente às 18 horas e 30 minutos pude vê-lo rapidamente.

No dia seguinte, pude vê-lo melhor. Tão pequeno e indefeso. No dia 3 de julho, às 7 horas e 30 minutos da manhã, meu anjo fez uma cirurgia que se estendeu até às 12 horas. Graças a Deus foi um sucesso. Ele completou a correção abdominal de uma única vez.

Nos primeiros dias de vida, ele ficou completamente sedado. Então, no sexto dia de vida, vivi o tão esperado momento: tive meu filho nos braços pela primeira vez. Até esse momento ele se alimentava somente com nutrição parenteral. Mas, aos 10 dias de vida, começou a receber o leite materno por uma sonda.


Lembro claramente como se fosse hoje do momento em que amamentei meu filho pela primeira vez, aos 12 dias de vida. Ele era pequenino, mas já mamava como um touro. Aos 14 dias de vida, tivemos uma previsão de alta. Muito feliz, saí do hospital para almoçar. Quando voltei à UTI, ele estava com febre altíssima por uma infecção no catéter que apareceu inexplicavelmente e levou meu bebê para a incubadora novamente.

Outra vez senti o chão saindo dos meus pés. Estava desesperada. De repente, uma senhora apareceu, olhou nos meus olhos e me perguntou se eu aceitava uma oração. Aceitei com o coração estilhaçado. Durante a oração, ela pronunciou o nome do meu filho. Detalhe: eu não tinha dito a ela o nome dele. Quando terminou de orar, ela pediu para que eu me acalmasse, pois Deus tinha um propósito para minha vida, e saiu sorrindo depois de um abraço caloroso.

Ao chegar a UTI, o médico me chamou e disse: "Inexplicavelmente os novos exames do Felipe estão ótimos, mas ele vai receber a medicação pela veia durante 7 dias e você ficará com ele aqui no alojamento conjunto para manter a amamentação”. Eu voltei correndo para o refeitório para agradecer aquela senhora, mas ninguém tinha visto ninguém com aquela descrição por lá naquele dia. Coloquei-me a chorar e não tive dúvidas de que eram as mãos de Deus agindo em nossas vidas.

Aos 22 dias de vida, o Felipe teve alta. Foi o primeiro bebê da UNICAMP a ter alta com menos de 35 dias. Fizemos até algumas fotos lá para a campanha da amamentação do ano de 2008.

Ao ser mãe, aprendi que viver não é apenas existir. É lutar pela vida a cada minuto, pois Deus tem um plano de vida para cada um de nós. Às mães que ainda irão passar por isso, tenham muita fé porque Deus estará sempre com vocês e com certeza vocês, assim como eu, terão um testemunho de superação para deixar aos que ainda virão. Finalizo agradecendo de todo meu coração às pessoas que estiveram ao meu lado, dando apoio, carinho e força.

Obrigada pela oportunidade de dividir com vocês minha história. Peço a Deus que conforte o coração de todas as mamães que têm seus filhos no céu. E que elas nunca desistam do sonho de ser mãe!

Beijinhos no coração de todas."

Paula, mãe do Felipe.

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