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As princesas Isabela e Giulia

08/01/2014

“Em 2009, passei por uma gestação complicada. A pressão aumentou, dieta restrita de sal, repouso, acompanhamento semanal com ultrassons, sendo que a bebê não ganhava peso. Todos esses cuidados acabaram me preparando psicologicamente para a possibilidade de um parto prematuro, e, graças a Deus, tive muito apoio da minha obstetra, que pensou e pesou sempre os dois lados, o melhor para a mãe e para o bebê, o momento exato de interromper a gestação.

Sempre senti muita segurança em suas palavras e condutas, e isso foi essencial para me tranquilizar. Fez o corticóide para amadurecer o pulmão da bebê na hora certa. Isso foi, sem dúvidas, um ganho enorme para o seu prognóstico. E eis que a minha Isabela nasceu de 36 semanas, com 1,510 kg. Não me esqueço da felicidade e alívio que senti ao ouvi-lá chorar tão forte, ao vê-la tão linda e perfeitinha, apenas miudinha.

Ela ficou 18 dias na UTI Neo, apenas para ganhar peso. Mamou desde o seu primeiro dia de vida, com tanta garra e vontade de viver. Tão direitinho, que me arrepio até hoje quando lembro da cena. E isso me deu forças para seguir a cansativa rotina de visita-lá na UTI, fazer a ordenha no banco de leite, visita-lá novamente e ordenhar na sequência. Isso em meio a muita dor por conta da cesárea. Mas ela conseguiu, eu consegui. Seis meses de leite materno exclusivo! E não parou aí, foi até dez meses!

Conhecendo e admirando o serviço do banco de leite, fora o grande apoio das enfermeiras, preciso mencionar o quanto é importante doar leite materno. Quem puder, por favor, doe! Eu doei! Tinha um estoque aqui em casa e toda semana vinham buscar. Fico muito feliz quando penso que ajudei outros bebês.

Quando a Isabela tinha 1 ano e 4 meses, engravidei novamente. Todos me olhavam estranhando: Como eu teria coragem de engravidar assim, depois de tudo o que passei? Mas era o meu sonho dar um irmãozinho para a Isabela, que crescessem juntos, com idades próximas mesmo! Eu estava tão feliz que todas aquelas lembrancas difíceis ficavam pequenininhas perto da alegria de viver a maternidade diariamente, como estava sendo.

Eu tinha certeza de que valeria a pena. E não é que a segunda gestação acabou sendo ainda mais complicada? Enjoo do começo ao fim, repouso a partir da metade da gestação, pressão que não controlava com repouso, dieta, remédios, nada! A bebê nao ganhava peso e os meus exames estavam piorando de repente: plaquetas caindo, proteinúria dobrando em dois dias, aff!  Agora o risco era para a minha vida, lembrando que eu já tinha a Isabela. Não foi fácil, mas ela foi um anjo que me deu muuuuuita forca. Era novinha, mas tão madura e tão doce. Entendeu o meu repouso, era solidária. Vinha se encostar em mim, me fazia carinho, não pedia colo e enchia a minha barriga de beijos, chamando a irmãzinha. Sim, era uma menininha! Sua irmãzinha querida, a Giulinha.

A Giulia nasceu de 33 semanas, com 1,300 kg. Ficou 31 dias na UTI neo, também apenas para ganhar peso. Também nasceu chorando forte, como uma guerreira gritando para a vida.  E Isabela continuou firme com sua maturidade. Ia me visitar no hospital e se comportou com todos que me ajudaram nessa época com seus cuidados. Por conta de minha saúde, fiquei uma semana internada, e, quando saí, tinha que ser levada em cadeira de rodas. Não conseguia nem andar direito por conta de uma forte anemia. Perdi muito sangue, tive placenta prévia também. Mas sim, tirando forças não sei de onde, amamentei, tirei muito leite e ela mamou leite materno até quase dez meses também.

As minhas pequenas estão hoje com quatro e dois anos, são super saudáveis, e apenas gostaria de deixar registrado aqui o meu relato para as mamães de prematuros. Tive duas, não me arrependo nem um tiquinho, e só não tento a terceira porque não é brincadeira educar uma criança hoje em dia. Não é fácil, nem um pouco, mas o negócio é viver um dia de cada vez, pensar que cada dia na UTI será um dia a menos, comemorar cada 5 graminhas ganhas, e, depois, temos que levantar a cabeça e seguir, tentando pensar que são crianças como as outras (e realmente são!), criar os nossos filhos sem neuroses, para que possam ser livres e felizes. Posso dizer hoje, com lágrimas nos olhos, que agradeço todos os dias a Deus, por estarem comigo estas duas princesas, tão saudáveis, espertas e carinhosas, cada uma com seu jeitinho. E não posso deixar de agradecer toda a família e equipe médica. Amor eterno!”


Renata, mãe da Isabela e da Giulia

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