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As lutas e glórias de Lívia e da mamãe Jéssica

07/11/2013

“A história da minha pequena guerreira começa em novembro de 2011, quando descobri que estava grávida. Eu e meu esposo começamos a correria, pois, na época, estávamos namorando e queríamos que a nossa princesinha viesse ao mundo com pais casados e com sua casa. Então, no dia 10 de março de 2012, lá estavam os pais dela subindo ao altar. Como me senti cansada, não tivemos lua de mel e resolvemos ficar em casa.

Exatamente uma semana após o casório, no sábado, dia 17 de março de 2012, comecei a passar mal, sentindo dores que iam e voltavam, em espaços bem grandes de tempo. Fui a emergência e a médica falou que não tinha nada de mais, que eu estava inventando aquelas dores e voltei para casa. No domingo, dia 18, quando acordei, senti as mesmas dores. Fiquei na cama, tentando me acalmar para ver se passava, até que, de tarde, fui ao banheiro e vi sangue em um muco que saia de mim. Entrei em pânico e meu esposo me levou até a emergêcia.

Chegando lá, as dores tinham aumentado e vinham com muita frequência. Quando a médica me examinou, me mandou correndo tomar uma injeção para amadurecer o pulmão do bebê, pediu minha internação, e, a partir disso, eu já estava arrasada, mas tentava manter a calma. Algo me dizia que se eu fosse fraca naquele momento, iria prejudicar a minha filha.

A madrugada de domingo foi estável. Na segunda, dia 19, as dores continuaram e logo, no início da manhã, senti uma água morna saindo no meio das minhas pernas. Era a minha bolsa que acabava de romper. A médica pediu a segunda dose da injeção e mandou que eu só ficasse deitada para tentar segurar o máximo possível meu bebê dentro da barriga. A madrugada dessa noite foi intensa. Senti muitas dores e a água saia sem eu me mexer, e o pior é que eu estava com febre.

Na manhã da terça-feira, dia 20 de março, a médica da rotina me mandou imediatamente para a sala de pré-parto. A minha febre aumentava, eu já não sentia a minha bebê mexer e as dores eram muito fortes. Foi ali que eu tive a pior notícia da minha vida. A obstetra de plantão sentou ao meu lado e começou a explicar o meu caso. Ela disse: ‘Olha, o seu caso é complicado, pois você está com corioamnionite (infecção do útero) e, por causa disso, ocorreu a febre e a expulsão do seu bebê, que também está contaminado pela sua infecção. Se você sobreviver a esse parto, você provavelmente irá perder seu útero. As chances do seu bebê sobreviver são praticamente zero, porque ele tem 22 semanas, é prematuro extremo. Seu filho não vai sobreviver a expulsão, pois, para tentar te salvar, seu parto será normal e os seus exames ainda estão indicando uma anemia grave.’

Nesse momento, eu poderia surtar, cair em prantos e tantas outras coisas, pois não tinha nenhum parente na maternidade naquela hora, mas o meu milagre estava nas minhas mãos e eu não deixaria escapar. Pedi a meu Deus que salvasse a vida daquela bebezinha inocente, pois eu fazeria de tudo para ajudar a minha filha a sobreviver. Nada é impossí­vel para Deus. Então, às 12h15min, fui levada a sala de parto e fiz toda a força possí­vel para minha filha sair, pois a médica já não escutava seu coração e a enfermeira não teve nem tempo para botar o soro, foi muito rápido.

Exatamente às 12h45min do dia 20 de março de 2012, nasceu a Lí­via, com apenas 776 gramas e 24 cm. Ela veio ao mundo viva, apenas isso já era um milagre. Levaram ela correndo para a UTI Neo. Eu fiquei e logo me aplicaram um antibiótico muito forte. Eram uns três tipos, mais outros vários medicamentos, e meu útero não precisou ser retirado, pois a médica não sabe como, mas não tinha hemorragia. Fui levada ao quarto e, logo que pude, fui ver a minha filha. Conversei com os médicos e me disseram que ela era um milagre por tudo o que passou sendo tão prematura e estava reagindo bem aos medicamentos.

No dia seguinte, quando cheguei na UTI Neo, a médica me falou que a Lí­via precisava ser transferida, pois aquela UTI estava com superlotação e havia risco de bactérias. O desespero tentou me pegar novamente, pois eu ainda teria que ficar mais 10 dias internada por conta do meu tratamento, mas quando Deus está no controle as coisas se ajeitam de um tal modo... Tive que suportar ver a minha filha tão frágil ser levada por uma ambulância para tão longe  (a outra UTI ficava a mais ou menos 27 km de distância). Fiz questão de fazer de tudo para melhorar para poder ir ver minha filha. Ela precisava de mim. As outras mães do quarto ficavam surpresas com a minha força de vontade. Meu marido era quem ia ver nossa bebê e trazia fotos dela para mim.

Quando tive alta, fui correndo para ela. Quando cheguei, eu simplesmente fiquei maravilhada por minha filha estar ali viva. Foram dias de lutas e glórias. E, para a surpresa de todos, Lí­via teve alta para vir para casa com apenas 2 meses e 21 dias. Não precisou passar por nenhuma cirurgia, foram apenas antibióticos e outros remédios de rotina.

Hoje, 03 de setembro de 2013, a minha vida está dormindo como um anjo do meu lado. Ela está com 1 ano e 5 meses, não tem nenhuma sequela,e já dá seus passinhos. E sabem qual é o meu som favorito? Quando a minha filha acorda e me chama de mamãe! Lívia, minha filha, minha vida!”

Jéssica, mãe da Lívia

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