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Ana Vitória e Ana Clara: as guerreiras da mamãe Havine

25/08/2013

“Gosto de compartilhar "as minhas vitórias" com as pessoas, até para mostrar que, quando Deus quer agir, existem MILAGRES como minhas filhas. Minhas gêmeas são bi-vitelinas. Até o momento não tinha tido problema algum com a minha gestação, já tenho um filho que, na época, estava com 4 anos. Foi quando, no dia 22 de julho de 2012, eu com 19 semanas, dormindo percebi que estava perdendo líquido. Na madrugada mesmo fui levada para o hospital, e na mesma hora soube que ficaria internada.

Na manhã seguinte fizeram a ultra e foi constatado que havia perdido todo o líquido amniótico de uma das minhas bebês e me alertaram de alguns riscos que isso poderia ocasionar, pois esse líquido perdido não poderia ser mais reposto. Nesta mesma tarde, uma doutora veio conversar comigo, me explicando a minha situação e o procedimento mais comum e aconselhado ao meu caso.

Como se tratava de uma pessoa jovem (26 anos), a melhor indicação médica é a retirada dos bebês (o aborto tardio), para uma nova tentativa de uma gestação mais “saudável”.  Explicou-me que, com a bolsa “rota”, fica assim um canal aberto, no qual o risco de infecções é muito grande e poderia me levar a perder o útero. Chorei muito, porém soube que havia chance, sendo que dependeria de ficar internada e acamada, sem poder me levantar. Não tive dúvidas, e aí começou a minha história de luta pela sobrevivência das minhas filhas.

Não era fácil, tive acompanhamento com a psicóloga. É muito difícil ficar em hospital, olha que fizeram de tudo pra que eu me sentisse confortável: livros, notebook, filmes, internet, fazer lembrancinhas do niver de 5 anos do meu filho que estava próximo, artesanato, entre outras coisas. Tentava me distrair, mas no fundo nada tirava a dor e o medo de perder minhas filhinhas.

Fiquei no soro e fiz 48h de antibiótico, tirava sangue dia sim, dia não, exame de urina 2 vezes por semana, fazia curva de temperatura, não podia ter nenhum sintoma de possível infecção, senão os bebês teriam que ser retirados. Todos os dias ouviam os batimentos (quase sempre sendo lembrada de que a qualquer momento o bebê que estava sem líquido poderia não resistir) e uma vez por semana fazia uma ultra para saber se os bebês estavam se desenvolvendo.

Minha mãe solicitou as férias para me fazer companhia mas, nos dias que ela não podia ficar, fiz AMIGAS de quarto fantásticas e que me ajudaram muito. Claro, muitas passaram e logo iam ter seus bebês ou recebiam alta para retornar só depois, e eu ia ficando, pedindo ao Senhor que protegesse meus bebês. Mas elas sabem que nunca me esquecerei delas, pois me deram muita força.

Os dias foram passando, até que, no dia 11 de agosto, comecei a sentir as dores da contração e me levaram para o C.O., onde me colocaram uma medicação para tentar segurar mais tempo. Passei a noite sangrando e com dor, pois a medicação não fazia efeito. Pela manhã do dia seguinte (12 de agosto de 2012), ainda sentia dor, contraindo e dilatando e com 23 semanas e 6 dias. Não tiveram como fazer a medicação de corticóide para tentar amadurecer os pulmões delas.

Tive meus bebês de parto normal, pois ainda na hora do nascimento poderiam não resistir, me deram 20% de chance delas viverem. Nasceu primeiro às 13h10min, Ana Vitória, o bebê que estava sem líquido, com 655g, chegando a pesar 455g. Às 13h20min, nasceu empelicada, Ana Clara com 720g, chegando a pesar 600g. Foram direto para a UTI Neonatal, não foi muito fácil quando as vi, pois cabiam nas minhas mãos. Ainda não tinham a camada de pele pronta, então criava feridas, não tinham os mamilos e seus órgãos sexuais também terminaram de se formar aqui fora, mas eram PERFEITAS.

E uma nova batalha começava a ser travada, a de elas resistirem a toda luta pela vida: com respiradores, medicamentos, exames, retirada de sangue, alimentação por sonda, cirurgias, apnéias, aspirar para tirar secreção, paradas respiratórias, infecções, anemias, transfusões de sangue, evoluções de procedimentos, entre outras coisas que minhas princesas passaram e, muitas, mais de 1 vez. Tantas coisas para seres tão pequeninos, porém, muito guerreiros!

Lembro-me de uma vez que eu estava chorando, pois mais um dia tiravam sangue delas e seus bracinhos já estavam roxos. Eu disse a uma enfermeira que meu consolo era saber que elas não se lembrariam de nada daquilo. Ela me olhou e respondeu: ‘Elas nunca irão se lembrar do que aconteceu, porém você nunca irá esquecer’. E isso é verdade! Minhas filhas são meu exemplo de determinação, pois nada na vida pode ser tão ruim que não valha a pena lutar para se viver mais e melhorar a cada dia, até quando todos os fatores estão contra você!

 

E foi com tanta luta, com dias bons e dias ruins, de altos e baixos que, no dia 28 de dezembro de 2012, Ana Vitória recebeu alta e, uma semana depois, no dia 04 de janeiro de 2013, minha felicidade ficou completa, pois recebia em casa a Ana Clara. Hoje, minhas princesas estão cada dia mais lindas. Deixo aqui a minha história de vitória!”

Havine, mãe de Ana Vitória e Ana Clara

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