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A história de um anjo chamado Miguel

21/05/2013

"Olá! Meu nome é Priscylla e venho aqui contar a história do meu anjo chamado Miguel!

Engravidei "sem querer" numa troca de medicamento, mas desde o primeiro instante meu filho já era muito amado por todos! Tive uma gestação muito tranqüila até o sétimo para o oitavo mês. Eu engordava pouco mas, a princípio, parecia tudo muito calmo. Tinha uma consulta marcada para o dia 16/06/2011, mas resolvi me adiantar e fiz um ultrassom no dia 08/06/2011 para saber como estava o meu bebê e levar para a Dra na consulta.

Enquanto estava fazendo, percebi que a cara do médico não era das melhores e perguntei o que estava acontecendo. Ele me disse que sim, havia algo de errado ali, mas que ele não sabia me dizer com precisão o que era e pediu para eu levar o exame para o meu obstetra ver. Ele suspeitava de PIG (pequeno para idade gestacional), mas não tinha certeza.

Nesse mesmo dia, fui em um obstetra que me acompanhava. Algumas consultas foram com ele, pois a minha médica era do posto de saúde da prefeitura e ela era de outra cidade, mas sempre foi maravilhosa. Esse médico me disse que era pra eu esperar uma semana e fazer um novo ultrassom com Doppler, pois se eu fizesse no outro dia, o peso do bebê não ia dar muita diferença. Na verdade ele queria saber se dentro de uma semana meu bebê ia crescer, e aconteceu exatamente o que ele previa. Meu bebê não cresceu nada e o Doppler acusou que eu estava com diástole zero, sendo que ela tinha que dar maior que um.

Esse médico me explicou que, se desse algo de errado no meu exame, eu teria que tirar o bebê antes do tempo previsto e ele teria sim que ir para uma UTI NEONATAL. Ele já me adiantou e me deu uma injeção para amadurecer o pulmão, que fez toda a diferença na vida do Miguel! Isso tudo aconteceu no dia 15/06/2011 à noite. No outro dia de manhã cedinho era a consulta com a minha médica mesmo, e ela mais que depressa me encaminhou ao hospital, pedindo a minha transferência para um hospital que tivesse UTI, mas isso não ocorreu.

O diretor do hospital, que também era médico, quis me segurar ao máximo. Falou que era para eu esperar até a segunda ou terça (isso era quinta) para fazer um novo exame e talvez tirar, mas eu já sabia e tive que explicar pra ele que meu cordão umbilical estava "seco", os médicos me explicaram que ele é igual a uma torneira e o meu era um conta gotas. Uma hora iria parar de vez e eu não podia esperar mais nem um segundo! Foi aí então que começou minha luta.

Meu esposo teve que quase "brigar" com o diretor do hospital para fazer minha cirurgia. Como eles não me transferiram, precisaram vários médicos da cidade ligarem para lá e explicarem que eu não podia esperar! O médico chamou meu esposo, minha irmã e minha mãe e falou que havia sim todo o risco de Miguel nascer e não agüentar, e que ele não seria responsável. E sim, Miguel nasceu, com 1,620 kg e 42 cm.

Lá havia uma incubadora que não funcionava. Meu filho passou bem a primeira noite e até colocaram ele na enfermaria comigo (onde entravam milhões de pessoas por dia). Foi então que Miguel manifestou algo errado. Ele não mamava e, na sua troca de fralda, colocou sangue pelo nariz e boca. Não havia pediatra disponível na cidade e em lugar nenhum! A pediatra que fez a cirurgia estava na região dos lagos e não iria pra lá, pois era sábado.

As enfermeiras (que foram anjos enviados por Deus) cuidaram de Miguel e isso foi passando. Colocaram soro na veia e meu esposo passou a noite inteira acordado em frente à incubadora que não funcionava. No meio da noite, uma enfermeira descobriu que Miguel tinha hipoglicemia. Começou aí mais uma luta.

Ficaram aplicando glicose nele quase que de hora em hora. A glicose dele dava 12, 18, 23 e não passava disso. Meu filho estava amarelo, gelado e não mamava. Isso foi até terça, quando meu anjo finalmente foi transferido para a UTI NEONATAL NICOLA ALBANO (Campos dos Goytacazes). Foram 6 dias de sofrimento na vida do meu filho que, graças a Deus, não precisou de oxigênio, senão ele não teria sobrevivido. Por isso eu disse que a injeção para o amadurecimento do pulmão fez toda a diferença!

Chegando à UTI, Miguel ficou com antibiótico por 9 dias e não fez efeito algum. Começou então uma bateria de exames para descobrir o que ele realmente tinha, além da hipoglicemia. Detectou-se uma infecção no líquor e foram mais 14 dias de antibiótico.

Nesses dias a glicose dele oscilava muito e sempre dava baixa, então tiveram que entrar com mais 21 dias de corticóide. Ficou na fototerapia 1 dia, fez duas transfusões e teve que ficar na NPT 13 dias para ajudar no tratamento da hipoglicemia. Quando estava quase tudo bem e aguardávamos somente alcançar o peso mínimo, foi descoberta uma Hérnia Inguinal Bilateral e meu pequeno foi pela primeira vez para a sala de cirurgia. Ocorreu tudo bem!

Foram 42 dias de intensa luta diária, mas Deus nos confortou a cada momento. Miguel teve alta com 2,630 kg e com 46 cm. Hoje ele tem 1 ano e 9 meses. Começou a andar com 1 ano e 2 meses e fala sem parar, repete tudo o que dizemos! Está pesando 9,700 kg, não é muito pesado nem muito grande, mas é mais levado que qualquer criança da idade dele, e não vejo diferença dele para crianças que nasceram com a idade certa. Há pouco tempo, agora em janeiro, ele teve que fazer outra herniorrafia, no mesmo lugar e mais uma vez foi um sucesso a cirurgia do meu bebê.

Ele é muito forte, lutou e luta pela vida a cada momento! Meu filho, meu sonho, meu tudo!"

Priscylla, mãe do Miguel.

 

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