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26.05.2026

ANS amplia cobertura de exame para investigação de trombofilia gestacional a partir de julho de 2026

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou a ampliação da cobertura obrigatória do exame anti-beta-2 glicoproteína I pelos planos de saúde a partir de 1º de julho de 2026. O exame é utilizado na investigação de trombofilias e da Síndrome Antifosfolípide (SAF), condições que podem estar associadas a abortamentos de repetição, tromboses, perdas fetais, pré-eclâmpsia grave, restrição de crescimento fetal e outras complicações gestacionais.

A inclusão representa um avanço importante para a saúde materna e reprodutiva no Brasil. No entanto, é importante destacar que esse exame já havia sido incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2020, após recomendação da CONITEC e publicação de portaria do Ministério da Saúde.

Apesar da incorporação no SUS, o acesso ao exame ainda ocorre, na maioria das vezes, apenas diante de situações já consideradas de alto risco ou após eventos gestacionais adversos. Atualmente, os protocolos costumam indicar a investigação principalmente em casos de:

  • abortamentos de repetição;
  • perdas fetais;
  • histórico pessoal de trombose;
  • pré-eclâmpsia grave ou precoce;
  • descolamento placentário;
  • restrição de crescimento fetal;
  • parto prematuro relacionado à insuficiência placentária;
  • suspeita de Síndrome Antifosfolípide;
  • histórico familiar importante de trombofilia.

Infelizmente, muitas mulheres precisam vivenciar perdas gestacionais recorrentes, complicações graves ou até a morte fetal para terem acesso a esse rastreamento e investigação adequada.

A demora da ANS em incorporar a cobertura obrigatória pelos planos de saúde também levanta reflexões importantes sobre quantas mulheres enfrentaram sofrimento físico e emocional, sucessivas perdas e demora diagnóstica ao longo desses anos sem acesso oportuno à investigação.

Mesmo no SUS, persistem importantes desigualdades de acesso. Muitas mulheres com histórico de perdas gestacionais repetidas ainda encontram dificuldade para conseguir investigação completa, especialmente fora dos ambulatórios especializados de gestação de alto risco, hematologia ou reumatologia. Em diversas regiões do país, há limitação de fluxos assistenciais, regulação insuficiente e baixa oferta laboratorial.

É fundamental avançar para além da incorporação formal dos exames. Precisamos garantir:

  • acesso equitativo em todo o território nacional;
  • ampliação da investigação precoce para mulheres com fatores de risco;
  • treinamento das equipes de atenção primária e pré-natal;
  • linhas de cuidado estruturadas para perdas gestacionais;
  • escuta qualificada e acolhimento às mulheres e famílias;
  • integração entre atenção básica, pré-natal de alto risco e especialidades.

A ampliação da cobertura representa um passo importante, mas ainda há um longo caminho para assegurar diagnóstico oportuno, prevenção de complicações e cuidado integral às mulheres que enfrentam perdas gestacionais e condições trombofílicas.

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