09 de Outubro de 2026

Entre a Fé e a Sobrevivência: A História do Meu Bebê Prematuro

Meu bebê nasceu prematuro extremo, com 26 semanas, em 2024. Quatro dias antes do nascimento, passamos por uma cirurgia intrauterina, após o diagnóstico de mielomeningocele. Eu morava em Portugal, mas fui encaminhada para a Bélgica apenas para realizar essa cirurgia. Viajei no dia 15 de dezembro de 2024, com a previsão de voltar antes do Natal. Fui acompanhada por uma amiga portuguesa da igreja, porque minha família não pôde ir por causa da documentação.

Quatro dias depois da cirurgia, no dia 21 de dezembro de 2024, meu corpo entrou em colapso. Eu estava supostamente com uma infecção no sangue. Os médicos me disseram que cuidariam do meu bebê, mas que eu era prioridade, porque eu também corria risco. O bebê estava em sofrimento fetal. Ele nasceu.

Fui informada de que precisaria ficar três meses na Bélgica. Minha amiga precisou voltar no dia 24 de dezembro de 2024, e eu fiquei sozinha em um país cuja língua eu não falava, me comunicando apenas através do tradutor do celular. Passei o Natal de 2024 no hospital. Virei o Ano Novo para 2025 sozinha, em um hotel, ainda no resguardo.

Não houve um único dia em que eu não fosse ao hospital. Mesmo com dor, recém-operada de 2 operações seguidas, eu caminhava até o ponto de ônibus para estar com meu filho.

Durante esses três meses, comecei a escrever tudo em um diário. Já com a intenção de registrar o que eu estava vivendo — dores, medos, fé e esperança. Hoje, esse diário está se tornando um livro.

Não tive custos com hospital, exames, hospedagem, passagem ou alimentação básica. Fui cuidada em todos os sentidos. Passei lá o meu aniversário, o aniversário do meu marido e o aniversário da minha filha do meio, celebrados por chamadas de vídeo.

Hoje, em 2025, quando vejo meu filho em casa, com as irmãs e com a família reunida, eu entendo: durante meses, meu corpo viveu em alerta máximo. Não porque eu era forte, mas porque o amor exige sobrevivência. E a minha fé me sustentou para sobreviver. Deus foi o meu amparo todos os dias.

A UTI saiu do hospital, mas ainda mora no corpo. E, mesmo assim, nós sobrevivemos.

Meu filho esteve internado na UTI do dia 21/12/2024 a 14/04/2025. Foram quase quatro meses vivendo dia após dia em estado de sobrevivência.

Responsabilidade do conteúdo por conta do autor, não reflete o posicionamento da ONG. Não nos responsabilizamos pela veracidade dos fatos.

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