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Palivizumabe e vacinação do prematuro

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Calendário de vacinação do prematuro

Sempre que falamos em prematuro, temos que falar de IMUNIZAÇÃO (ou vacinação)!

Sim, porque nossos pequenos são mais vulneráveis à algumas infecções e por isso possuem um esquema especial de vacinação.

Aqui vocês vão encontrar a relação atualizada das principais vacinas e quando elas devem ser administradas para os prematuros.

Texto atualizado em fevereiro de 2016

O calendário de vacinação dos prematuros, assim como os próprios, é um tanto especial.

Aqui vamos explicar tudo direitinho para vocês.

O bebê prematuro deve receber todas as vacinas de praxe, aquelas do calendário vacinal do Ministério da Saúde. Além dessas, os pequenos também devem receber algumas outras imunizações essenciais para garantir que estejam protegidos contra infecções potencialmente fatais.

Primeiro vamos falar do calendário tradicional, recomendado pelo Ministério da Saúde, e que sofreu pequenas alterações no começo de 2016. A imagem abaixo ilustra as tradicionais vacinas do calendário básico, você pode até imprimir para fixar na geladeira:

 

(Fonte da Imagem)

As mudanças ocorridas no começo de 2016, segundo o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Antônio Nardi, são motivadas pela alteração da situação epidemiológica e por atualização na indicação das vacinas. Para quem já tomou alguma das doses, é só seguir o esquema novo a partir de agora. No caso da pólio, quem tomou a 3ª dose por gotinha, não precisa tomar a injetável.

Veja o que muda para cada tipo de vacina:

HPV

Como era: 2 doses para meninas de 9 a 13 anos com intervalo de 6 meses; 3ª dose 5 anos depois.
Como fica: 2 doses com intervalo de 6 meses para meninas de 9 a 13 anos.

Poliomielite

Como era: injeção aos 2 e 4 meses e gotinha aos 6 meses. 2 doses de reforço aos 15 meses e aos 4 anos (ambas de gotinha).
Como fica: muda somente que a 3ª dose passa ser a injetável.

Pneumonia

Como era: 3 doses (2, 4 e 6 meses de idade) e reforço entre 12 e 15 meses.
Como fica: 2 doses – aos 2 e 4 meses e um reforço aos 12 meses.

Meningite

Como era: 2 doses, aos 3 e 5 meses de idade, com reforço aos 15 meses.
Como fica:2 doses, aos 3 e 5 meses de idade, com reforço aos 12 meses.

 

 (Fonte da Imagem)

Agora vamos falar especificamente da vacinação dos prematuros!

A imagem a seguir e o texto foram retirados do site da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm):

 

Comentários numerados devem ser consultados.

1. BCG ID: deverá ser aplicada o mais precocemente possível, de preferência ainda na maternidade, em recém-nascidos com peso maior ou igual a 2.000 g. Em caso de suspeita de imunodeficiência ou recém-nascidos cujas mães fizeram uso de biológicos durante a gestação, consulte os Calendários de vacinação SBIm pacientes especiais.

2. HEPATITE B: Os RNs de mães portadoras do vírus da hepatite B devem receber ao nascer, além da vacina, imunoglobulina específica para hepatite B (HBIG) na dose de 0,5 mL via intramuscular, logo após o nascimento, até, no máximo, o sétimo dia de vida. A vacina deve ser aplicada via IM no vasto lateral da coxa e a HBIG na perna contralateral. Em função da menor resposta à vacina em bebês nascidos com menos de 2.000 g, recomenda-se completar o esquema de quatro doses (0 – 1 – 2 – 6 meses).

3. Profilaxia do VSR: O uso do palivizumabe na prevenção do vírus sincicial respiratório (VSR), causador da bronquiolite, merece um capítulo especial, já que essa infecção em prematuros pode ser fatal. Clique aqui e veja tudo que você precisa saber!

4. PNEUMOCÓCICA CONJUGADA: Recém-nascidos prematuros e de baixo peso ao nascer apresentam maior risco para o desenvolvimento de doença pneumocócica invasiva, que aumenta quanto menor a idade gestacional e o peso ao nascimento. O esquema deve ser iniciado o mais precocemente possível, de acordo com a idade cronológica.

5. INFLUENZA: Respeitar a idade cronológica e a sazonalidade da circulação do vírus. Preferencialmente utilizar vacinas quadrivalentes.

6. POLIOMIELITE: A SBIm recomenda que todas as doses sejam com a vacina injetável. Não utilizar a vacina oral (VOP) em crianças hospitalizadas.

7. ROTAVÍRUS: Por se tratar de vacina de vírus vivos atenuados, a vacina rotavírus só deve ser realizada após a alta hospitalar, respeitando-se a idade máxima limite para administração da primeira dose (3 meses e 15 dias).

8. TRÍPLICE BACTERIANA: A utilização de vacinas acelulares reduz o risco de eventos adversos. Em prematuros extremos, considerar o uso de analgésicos/antitérmicos profiláticos com o intuito de reduzir a ocorrência desses eventos, especialmente reações cardiovasculares.

9. Haemophilus influenzae tipo b: Na rede pública, para os prematuros extremos, a DTPa é disponibilizada pelos Centros de Referência para Imunológicos Especiais – CRIE (relação dos CRIE nos Estados brasileiros) e, nesses casos, a conduta do Ministério da Saúde é adiar a aplicação da vacina Hib para 15 dias após a DTPa. O reforço da vacina Hib deve ser aplicado nessas crianças aos 15 meses de vida.

Algumas observações feitas pela SBIm:

RECÉM-NASCIDO HOSPITALIZADO: deverá ser vacinado com as vacinas habituais, de acordo com a idade cronológica, desde que clinicamente estável. Não usar vacinas de vírus vivos: pólio oral e rotavírus.

PROFISSIONAIS DA SAÚDE E CUIDADORES: todos os funcionários da Unidade Neonatal, pais e cuidadores devem ser vacinados para influenza, varicela (se suscetíveis) e coqueluche, a fim de evitar a transmissão dessas infecções ao RN.

VACINAÇÃO EM GESTANTES E PUÉRPERAS: a imunização da gestante para influenza (em qualquer idade gestacional) e coqueluche, entre a 27ª e 36ª semana de idade gestacional – em todas as gestações – constitui excelente estratégia na prevenção dessas doenças em recém-nascidos nos primeiros seis meses de vida, época em que eles ainda não estão adequadamente imunizados e mais vulneráveis às formas graves. A prevenção do tétano neonatal não deve ser esquecida, e o momento do puerpério é oportuno para receber as vacinas para doenças para as quais a puérpera seja suscetível: hepatite B, hepatite A, rubéola, sarampo, caxumba e varicela.

VACINAÇÃO DE CONTACTANTES: a prevenção de doenças infeciosas em lactentes jovens e prematuros pode ser obtida com a vacinação de crianças, adolescentes e adultos que têm contato frequente com eles (mãe, pai, irmãos, avós, babás, e outros) – que podem ser fontes, principalmente, das seguintes infecções imunopreveníveis: coqueluche, influenza, varicela, sarampo, caxumba e rubéola. A vacinação desses contactantes, inclusive a mãe, deve se dar o mais precocemente possível.

E para quê servem todas essas vacinas? Quais os efeitos colaterais?

Entenda como funcionam as principais vacinas aplicadas na primeira infância desses pequenos:

BcG ID

Essa é a famosa vacina que deixa uma pequena cicatriz no braço. Ela imuniza contra as formas graves da tuberculose, doença contagiosa, produzida por bactéria que atinge principalmente os pulmões e que, se não for tratada, pode provocar sérios problemas respiratórios, emagrecimento, fraqueza e até levar à morte.

A tuberculose é transmitida de pessoa a pessoa pelo ar, por meio de tosse, espirro ou fala. Os principais sintomas são: febre ao final do dia, tosse, fraqueza, cansaço e perda de peso.

É aplicada por via intradérmica (na camada superficial da pele), de preferência no braço direito, após o nascimento (ainda na maternidade), em apenas uma dose, em recém-nascidos com peso maior ou igual a 2kg. Poucos estudos mostram eventual diminuição da resposta imune ou eventos adversos à BCG em menores de 1,5kg a 2kg. Por precaução, aguardar 2kg ou idade de 1 mês para vacinar.

Hepatite B

Protege contra a Hepatite B, doença causada por um vírus e que provoca mal-estar, febre baixa, dor de cabeça, fadiga, dor abdominal, náuseas, vômitos e aversão a alguns alimentos. A Hepatite B é grave porque pode levar a uma infecção crônica (permanente) do fígado e, na idade adulta, ao câncer de fígado.

O ideal é que a vacina seja administrada ainda na maternidade, por via intramuscular na parte lateral da coxa ou superior do braço. São necessárias 3 doses: a primeira ao nascer (de preferência até 12h de vida); a segunda dose com 1 mês de idade, e a terceira aos 6 meses.

Devido à menor resposta à vacina em bebês nascidos com idade gestacional inferior a 33 semanas e/ou com menos de 2kg, desconsidera-se a primeira dose e aplicam-se mais 3 doses (esquema 0-1-2 e a última dose de 6 a 12 meses após a primeira dose).

Os bebês de mães portadoras do vírus da Hepatite B devem receber ao nascer, além da vacina, imunoglobulina específica para hepatite B (HBIG) na dose de 0,5 mL via intramuscular até no máximo 7 dias de vida.

Pneumocócica conjugada

Essa vacina protege as crianças de bactérias tipo pneumococo, que causam doenças graves como meningite, pneumonia, otite média aguda, sinusite e bacteremia.

Iniciar o mais precocemente possível (aos 2 meses), respeitando a idade cronológica: três doses aos 2, 4 e 6 meses e um reforço aos 15 meses. Prematuros e bebês de baixo peso apresentam maior incidência de doença pneumocócica invasiva, cujo risco aumenta quanto menor a idade gestacional e o peso ao nascimento.

Influenza (gripe)

Protege contra a gripe, doença caracterizada por febre alta, calafrios, dor de cabeça, mal-estar, tosse seca e dor muscular, e que pode gerar complicações como infecções respiratórias agudas.

A vacina contra gripe não protege contra resfriados comuns, que são causados por outros tipos de vírus e normalmente se caracterizam por sintomas mais leves, sem febre.

A aplicação é por injeção via intramuscular na parte superior do braço. É aconselhável administrar 1 dose por ano, geralmente no início de estações frias como o outono e o inverno.

Aplica-se respeitando a idade cronológica: duas doses, uma aos 6 e outra aos 7 meses. A indicação habitual da vacina contra a influenza em lactentes de 6 a 23 meses é reforçada nos prematuros, pois estes apresentam maior morbidade e mortalidade relacioandas à doença. Caso o bebê complete 6 meses após os meses de inverno, pode-se adiar a aplicação da vacina da Influenza para os meses do outono subsequente.

Poliomielite

Essa vacina protege contra a paralisia infantil, doença provocada por um vírus contagioso e caracterizada por paralisia súbita, geralmente nas pernas. A transmissão ocorre pelo contato direto com pessoas, fezes, água ou alimentos contaminados.

Em bebês internados em UTI Neonatal, utiliza-se somente a vacina inativada (ipV). Devido à probablidade de disseminação do vírus vacinal em população de imunodeprimidos (UTI neonatal, por exemplo), o uso da vacina oral está contraindicado enquanto o bebê permanecer hospitalizado.

É aplicada por via oral, em 3 doses, com intervalo de 60 dias. Todas as crianças aos 2, 4 e 6 meses de idade devem ser vacinadas. O reforço é feito aos 15 meses. No Brasil, além disso, todas as crianças menores de 5 anos de idade devem receber a vacina nos dias de Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite.

Rotavírus

Os principais sintomas do rotavírus são vômito, febre e diarréia líquida constante, que se não for tratada pode levar a desidratação e até a morte. Os recém-nascidos são os principais alvos do vírus.

Não deve-se utilizar esta vacina em ambiente hospitalar. Por se tratar de vacina de vírus vivos atenuados, a imunização contra o rotavírus só deve ser realizada após a alta, respeitando-se a idade limite para administração da primeira dose.

A vacina deve ser realizada em 2 doses em forma oral. A primeira vacina aos 2 meses e a segunda aos 4 meses. É possível administrar a primeira dose da vacina a partir de 1 mês e 15 dias a 3 meses e 7 dias de idade (6 a 14 semanas de vida) e a segunda dose a partir de 3 meses e 7 dias a 5 meses e 15 dias de idade (14 a 24 semanas de vida). Não é aconselhável vacinar crianças que apresentam quadro grave de imunodeficiência, como portadoras do vírus HIV. Também é contra-indicado o uso em prematuros submetidos à cirurgia abdominal.

A forma de contágio é fecal-oral. Nos locais onde as condições de higiene são inadequadas (áreas de manguezais e palafitas, por exemplo), o rotavírus contamina pessoas de qualquer idade: basta o contato com alimentos, objetos ou mesmo as mãos contaminadas.

Por tudo isso, lavar as mãos antes e depois de ir ao banheiro, antes das refeições e depois de trocas de fraldas é imprescindível para prevenção. Lavar bem os alimentos e ferver a água antes de tomá-la também ajuda na prevenção do rotavírus.

Tríplice bacteriana

A vacina tríplice (DTP) é constituída de antígenos protetores contra a difteria, a coqueluche e o tétano. A utilização de vacinas acelulares reduz o risco de apnéias e episódios convulsivos pós-aplicação da vacina tríplice bacteriana.

As reações vacinais podem ocorrer, sendo as principais o eritema local, exulceração, nódulo e abscesso. Sintomas gerais, como febre de intensidade variável, sonolência, irritabilidade, mal estar e vômito, podem ocorrer.

Aplicar a 1a dose aos 15 meses de idade e depois aos 4 anos.

Hemófilos tipo B

Esta vacina protege contra doenças como Meningite, Pneumonia e Osteomielite provocadas pelo hemófilos tipo B. É aplicada em 03 doses a partir dos 02 meses e um reforço entre os 15 a 18 meses. As reações adversas mais comuns são: rubor leve no local, febre, vômito, perda de apetite, agitação, diarréia e choro persistente.

Para prematuros extremos, a rede pública disponibiliza a DTP nos Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIE) e, nesses casos, a conduta do Ministério da Saúde é adiar a aplicação da vacina de hemófilos do tipo b (Hib) para 15 dias após.

As vacinas combinadas de DTPa com Hib e outros antígenos são preferenciais, permitem a aplicação simultânea e se mostraram eficazes e seguras para os prematuros.

Palivizumabe: um capítulo à parte

Você sabia que a bronquiolite pode ser potencialmente fatal para os prematurinhos e bebês cardiopatas?

A bronquiolite é causada pelo vírus sincicial respiratório, conhecido como VSR. Ela pode ser muito grave para os prematuros, já que eles possuem o sistema respiratório mais fragilizado em função do nascimento antecipado.

Porém, esxite um medicamento chamado palivizumabe - que não é uma vacina e sim um medicamento imunobiológico - que é capaz de prevenir a infecção pelo VSR. E este medicamento é fornecido pelo SUS.

Devido à importância do tema, reservamos uma seção especial no site para falar do VSR e do bronquiolite e outra para falar sobre como obter o palivizumabe.