• Parceiros oficiais:
  • Efcni
  • March of Dimes
Arraste para navegar

Tudo sobre descolamento prematuro de placenta

15/05/2014


Conhecendo a placenta

[caption id="attachment_14011" align="alignleft" width="300" caption="Foto: Reprodução"][/caption]

A placenta existe apenas durante a gestação, sendo um anexo embrionário transitório, por meio do qual o feto respira, alimenta-se e excreta os produtos de seu metabolismo. Dela parte o cordão umbilical, pelo qual o feto é nutrido. É também um órgão endócrino importante, envolvido na produção de diversos hormônios necessários ao perfeito desenvolvimento da gravidez. A placenta humana se implanta na parede do útero e permanece fixada durante toda a gravidez. No parto, ela se descola do útero e é espontaneamente eliminada logo após a saída do bebê.

A placenta funciona parcialmente como um filtro, pois não permite que o sangue da mãe se misture ao do feto e impedeque algumas moléculas inconvenientes entrem em contato com o feto. Infelizmente, isso nem sempre acontece e, por isso, a mãe deve tomar cuidados com certos alimentos, substâncias, medicamentos, vírus e bactérias que podem atravessar a placenta e atingir o feto durante a gravidez.

O que é o descolamento prematuro da placenta?

O problema de deslocamento prematuro da placenta é quando acontece a separação antecipada de parte ou da totalidade da placenta da parede do útero, afetando a sua ligação com o útero antes de o bebê nascer. A placenta deveria se encontrar implantada lá até o nascimento do feto. Também é chamado de DPP, placenta abrupta, separação prematura da placenta, abruptio placentae.

[caption id="attachment_14013" align="aligncenter" width="448" caption="Foto: Reprodução"][/caption]

Esse descolamento é mais comum no terceiro trimestre da gestação, embora possa ocorrer a qualquer momento, depois da vigésima semana de gravidez. Quando ocorre um descolamento, o suprimento de oxigênio e de nutrientes para o bebê pode ficar comprometido e pode ocorrer um sangramento grave, perigoso tanto para o filho como para a mãe. Esse tipo de condição aumenta o risco de o bebê ter problemas para crescer dentro do útero (se o rompimento é pequeno e passa despercebido), de nascer prematuramente ou até, em casos extremos, de não sobreviver.

Quais são as causas?

Determinar a causa exata do deslocamento prematuro da placenta pode ser difícil. As causas diretas são raras, mas incluem:


  • Ferimento na região da barriga (abdômen) devido a queda, pancada no abdômen ou acidente de automóvel

  • Perda súbita de volume uterino (pode ocorrer com perda rápida do líquido amniótico ou depois do nascimento do primeiro gêmeo)


Os fatores de risco incluem:

  • Ocorrências anteriores de deslocamento prematuro da placenta


  • Hipertensão crônica ou hipertensão gestacional/pré-eclâmpsia (cerca de metade dos deslocamentos prematuros da placenta que levam à morte do bebê estão relacionados à pressão arterial alta)

  • Algum tipo de distúrbio de coagulação do sangue (trombofilias)

  • Diabetes

  • Aumento da distensão uterina (pode ocorrer em gestações múltiplas ou no excesso de líquido amniótico (hidrâmnio ou polidrâmnio)

  • Ocorrência de sangramentos prévios na gestação


  • Rompimento prematuro da bolsa amniótica/Ruptura prematura de membranas (a bolsa se rompe antes de 37 semanas de gravidez)

  • Fibroma uterino

  • Gravidez de gêmeos ou múltipla (o descolamento é mais comum logo depois do nascimento do primeiro bebê)

  • Traumas na área da barriga

  • Uso de cigarro ou outras drogas

  • Gestantes mais velhas, porque o risco aumenta com a idade

  • Algum tipo de anomalia uterina anatômica


O deslocamento prematuro da placenta, o que inclui qualquer separação da placenta antes do parto, ocorre em cerca de um a cada 150 partos. A forma grave, que pode causar a morte do bebê, ocorre apenas em um em cada 800 a 1.600 partos.

Quais os sintomas desse problema?


  • Dor abdominal

  • Dor nas costas

  • Contrações uterinas frequentes

  • Contrações uterinas sem relaxamento entre as contrações

  • Sangramento vaginal



Em sangramentos menores, pode acontecer que o sangue fique retido no útero, atrás da placenta, e não seja percebido. Muitas vezes o útero torna-se mais sensível e há cólicas repetitivas, a pequenos intervalos, ou uma cólica contínua que não cede.


[caption id="attachment_14014" align="aligncenter" width="300" caption="Foto: Reprodução"][/caption]



Quando devo procurar o médico?


Você deve comunicar o seu médico se você sofrer um acidente de carro, mesmo que seja um acidente pequeno. Ligue para seu médico imediatamente se tiver sangramento durante a gravidez. Procure um médico imediatamente, ligue para um serviço de emergência (como 192) ou procure um atendimento de emergência, se você estiver grávida e apresentar sangramento vaginal e dor abdominal aguda ou contrações durante a gravidez. O deslocamento prematuro da placenta pode se tornar rapidamente uma situação de emergência que ameaça a vida da mãe e do bebê. O obstetra saberá orientar a melhor conduta em cada caso.

Exames para diagnosticar

O diagnóstico do descolamento de placenta começa pela coleta de uma detalhada história clínica e pode ser complementado pela ultrassonografia abdominal ou vaginal. Apesar da ultrassonografia nem sempre detectar pequenos descolamentos, ela pode excluir o quadro clínico de placenta prévia, que é parecido com esse, ou outra possível causa de sangramento uterino.

[caption id="attachment_14015" align="aligncenter" width="398" caption="Foto: Reprodução"][/caption]

Outros exames complementares que podem contribuir direta ou indiretamente para o diagnóstico são: a ultrassonografia abdominal, hemograma completo, monitoramento fetal, dosagem do nível de fibrinogênio, tempo parcial de tromboplastina, exame pélvico, tempo de protrombina, que é a avaliação do estado de coagulação sanguínea, e a ainda ultrassonografia vaginal ou exame pélvico.


E o tratamento?

Para tratar essa condição, pode ser através de líquidos intravenosos e transfusões de sangue. A mãe será cuidadosamente monitorada quanto a sintomas de choque. O bebê na barriga será monitorado quanto a sinais de sofrimento, que incluem batimento cardíaco anormal.

Se a data da ocorrência deste sangramento estiver próxima da data prevista para o parto, ele deve ser adiantado, mesmo que o descolamento não seja grande, em virtude das suas possíveis complicações.

Se o descolamento for pequeno, mas o bebê for ainda muito prematuro (menos de 28 semanas) e se mãe e filho estiverem bem, é possível esperar um pouco mais, mantendo a gestante em repouso, devidamente medicada e monitorada (tanto ela, quanto o bebê).

Se o feto estiver bem desenvolvido, o parto normal poderá ser feito se for seguro para a mãe e para a criança. Caso contrário, poderá ser feita uma cesariana.

Em casos mais sérios pode ser necessária uma cesariana de urgência. Trata-se, no fundo, em muitos casos, de pesar riscos e benefícios para a gestante e para o bebê.

E quais as complicações possíveis depois?

Em cerca de quase 25% dos casos, o descolamento leva a um parto prematuro.

A perda excessiva de sangue pode levar a choque e à possível morte da mãe ou do bebê. Se ocorrer sangramento depois do parto, e a perda de sangue não puder ser controlada de outras formas, a mãe poderá precisar de uma histerectomia (remoção do útero).

Há consequências graves?

Todos os seguintes fatores aumentam o risco de morte da mãe e do bebê:


  • Cérvix fechado

  • Diagnóstico e tratamento tardio do deslocamento prematuro da placenta

  • Perda de sangue excessiva que leve a choque

  • Sangramento uterino oculto (disfarçado) na gravidez

  • Ausência de trabalho de parto


O sofrimento fetal ocorre no início do problema e em cerca de metade dos casos. Os bebês que sobrevivem têm de 40 a 50% de chances de ter complicações, que variam de leves a graves.

[caption id="attachment_14016" align="alignleft" width="300" caption="Foto: Shutterstock"][/caption]

O que faço para evitar?

A futura mamãe deve evitar beber, fumar ou usar drogas recreativas durante a gravidez. Faça o pré-natal desde o início da gravidez e regularmente.

Reconhecer e tratar de problemas da mãe, como diabetes e pressão arterial alta, também diminui o risco de deslocamento prematuro da placenta.

Referências:

François KE, Foley MR. Antepartum and postpartum hemorrhage. In: Gabbe SG, Niebyl JR, Simpson JL, eds.Obstetrics - Normal and Problem Pregnancies. 5th ed. Philadelphia, Pa: Elsevier Churchill Livingstone; 2007:chap 18.

Houry DE, Salhi BA. Acute complications of pregnancy. In: Marx J, Hockberger RS, Walls RM, et al, eds. Rosen's Emergency Medicine: Concepts and Clinical Practice. 7th ed. Philadelphia, Pa: Mosby Elsevier; 2009:chap 176.

Cunningham FG, Leveno KL, Bloom SL, et al. Obstetrical hemorrhage. In: Cunningham FG, Leveno KL, Bloom SL, et al., eds. Williams Obstetrics. 23rd ed. New York, NY: McGraw-Hill: 2010:chap 35.

ABC.MED.BR, 2012. Descolamento prematuro de placenta: quando ele acontece? Tem como evitar?. Disponível em: <http://www.abc.med.br/p/gravidez/320800/descolamento-prematuro-de-placenta-quando-ele-acontece-tem-como-evitar.htm>. Acesso em: 15 mai. 2014.

Fonte: Minha Vida, ABC Med, Baby Center



  • TAGS

Tem um bebê
prematuro?

Preencha nossos cadastro e ajude
a direcionar as ações da nossa ONG

Cadastre-se