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Pré-eclâmpsia e prematuridade: tudo que você precisa saber

21/01/2014


O que é?

A pré-eclâmpsia é um distúrbio que afeta cerca de 5% das mulheres grávidas. O diagnóstico de pré-eclâmpsia é normalmente feito no pré-natal quando há hipertensão (aumento de pressão arterial) e proteinúria (presença de proteína na urina) após 20 semanas de gestação.

O mais comum é que apareça depois da 37ª semana, mas, na realidade, pode acontecer em qualquer época da segunda metade da gravidez, incluindo durante o parto ou depois (geralmente nas primeiras 48 horas).

É possível ter sintomas de pré-eclâmpsia antes de 20 semanas, mas somente em casos mais raros, como nos de uma gravidez molar, que é uma complicação que tende a acontecer quando algo de incomum ocorre durante o processo de fertilização no momento da concepção. Com isto, uma série de anormalidades acomete as células que formam a placenta. É conhecida também por mola hidatiforme.

A pré-eclâmpsia pode progredir de maneira lenta ou rápida.

Como acontece a pré-eclâmpsia?

A gravidez pressupõe o crescimento de um ser geneticamente diferente dentro do útero da mulher, uma vez que herdou metade dos genes do pai. Ela não rejeita esse corpo estranho, porque desenvolve mecanismos imunológicos para proteger o feto. Em alguns casos, porém, ele libera proteínas na circulação materna, que provocam uma resposta imunológica da gestante, que agride as paredes dos vasos sanguíneos, causando vasoconstrição e aumento da pressão arterial.

A hipertensão arterial específica da gravidez recebe o nome de pré-eclâmpsia e, em geral, instala-se a partir da 20ª semana, especialmente no 3° trimestre.

A pré-eclâmpsia pode evoluir para a eclâmpsia, uma forma grave da doença, que põe em risco a vida da mãe e do feto.

Quais são as causas?

A causa exata da pré-eclâmpsia ainda não foi estabelecida. O que se sabe é que estão associadas à hipertensão arterial, que pode ser crônica ou específica da gravidez. Outras possíveis causas incluem: doenças autoimunes, problemas nos vasos sanguíneos, dieta e genes.

O que sinto quando estou com essa doença?

a) Sintomas da pré-eclâmpsia (que também pode ser assintomática): hipertensão arterial, edema (inchaço), principalmente nos membros inferiores, que pode surgir antes da elevação da pressão arterial, aumento exagerado do peso corpóreo e proteinúria, isto é, perda de proteína pela urina.

b) Sintomas característicos da eclâmpsia: convulsão (às vezes precedida por dor de cabeça, de estômago e perturbações visuais), sangramento vaginal e coma.

Há pessoas mais propensas?

Embora a causa exata da pré-eclâmpsia não seja conhecida, já foram definidos fatores de risco. A probabilidade é maior na primeira gravidez ou quando há um espaço de pelo menos dez anos entre duas gestações.

São fatores de risco:
- hipertensão arterial sistêmica crônica;
- primeira gestação;
- diabetes;
- lúpus;
- problemas renais;
- gravidez de gêmeos ou mais;
- obesidade antes da gravidez, com um IMC (índice de massa corporal, onde divide-se o peso em kg pelo quadrado da altura em cm) de 30 ou mais;
- histórico familiar ou pessoal das doenças supra-citadas;
- gravidez depois dos 35 anos e antes dos 18 anos;
- parente próximo com histórico de pré-eclâmpsia (especialmente mãe ou irmã);
- diagnóstico anterior de pré-eclâmpsia -- uma em cada cinco mulheres apresenta o problema de novo;
- se o parceiro for diferente entre uma gravidez e outra, a mulher volta a ter risco como se fosse uma primeira gestação, mesmo que não tenha apresentado pré-eclâmpsia.

Porém, as mulheres que têm pressão normal e sem histórico também podem ser acometidas.

O diagnóstico é estabelecido com base nos níveis elevados da pressão arterial, na história clínica, nos sintomas da paciente e nos resultados de exames laboratoriais de sangue e de urina.

Quais são os exames necessários?

O médico realizará um exame físico e solicitará testes laboratoriais. Possíveis sinais de pré-eclâmpsia:


  • Hipertensão, geralmente maior do que 140/90 mmHg

  • Proteína na urina (proteinúria)


O exame físico também pode indicar:

  • Inchaço nas mãos e no rosto

  • Ganho de peso


Também serão realizados exames de sangue e de urina. Os possíveis resultados anormais incluem:

  • Proteína na urina (proteinúria)

  • Nível de enzimas hepáticas mais alto do que o normal

  • Contagem de plaquetas inferior a 100.000 (trombocitopenia)


O médico também solicitará outros testes para verificar a coagulação do sangue e monitorar a saúde do bebê. Alguns testes que monitoram o bem-estar do bebê incluem ultrassom de gravidez, teste sem estresse e perfil biofísico. Os resultados desses testes ajudarão o médico a decidir se o parto do bebê precisa ser realizado imediatamente.

As mulheres que, no início da gestação, tinham pressão arterial muito baixa, mas apresentaram um aumento significativo, precisam ser monitoradas cuidadosamente para verificar a ocorrência de outros sinais de pré-eclâmpsia.

Qual é o tratamento?

Se você tiver pré-eclâmpsia, terá de medir sua pressão com frequência e fazer exames de urina, para verificar a presença de proteína. Outros exames podem ser realizados para avaliar outros órgãos, como o funcionamento do fígado.

Se sua pressão subir muito, é possível que você seja internada e receba remédios para controlar a pressão (que não prejudicarão o bebê).

O bebê também será monitorado, e a qualquer sinal de que ele não está crescendo como deveria ou que o volume de líquido amniótico esteja diminuindo, ou ainda se o seu estado piorar, o médico vai realizar o parto, mesmo que antes da hora, por cesariana ou indução do parto normal.

A única "cura" para a pré-eclâmpsia é o nascimento do bebê. Mas a mãe continua a ser observada na UTI depois que o bebê nasce, porque ainda há algum risco nos dias seguintes.

Outras dicas que podem ajudar:

- o médico poderá receitar uma alimentação com restrição de sal e açúcar;
- o repouso da mãe deitada do lado esquerdo (acredita-se que essa posição ajuda na circulação sanguínea para o útero e rins);
- aumento na ingestão de água;
- rigorosa vigilância pré-natal.


O que fazer para evitar?

Infelizmente, não existe um método garantido para evitar a pré-eclâmpsia. O melhor jeito é fazer direitinho o pré-natal e acompanhar com cuidado a gravidez e a pressão arterial.

Quem tem fatores de risco ou já teve pré-eclâmpsia antes terá a gestação acompanhada de perto, com consultas mais frequentes no final da gravidez, para detectar o problema o mais cedo possível, se ele aparecer.

O ganho de peso também será controlado com atenção pelo médico.

Pacientes com pré-eclâmpsia leve devem fazer repouso, medir com frequência a pressão arterial e adotar, por precaução, uma dieta com pouco sal.

Medicamentos anti-hipertensivos e anticonvulsivantes são indicados para o controle dos quadros mais graves, que podem exigir a antecipação do parto. A doença regride espontaneamente com a retirada da placenta.

Quais são as consequências da pré-eclâmspsia?

A pré-eclâmpsia pode ser leve ou grave. Quando se torna grave, pode afetar vários sistemas do corpo.

A pré-eclâmpsia se não tratada precocemente pode complicar a gravidez, trazendo risco de morte para mãe e bebê. Na mãe causa edema cerebral, hemorragia cerebral, insuficiência renal, insuficiência cardíaca e desprendimento prematuro da placenta da parede uterina.

Esse desprendimento ocasiona hemorragia vaginal e afeta o fornecimento de oxigênio e de nutrientes que o feto precisa e este pode morrer. Mesmo que a placenta não se desprenda, a hipertensão pode reduzir o fornecimento de sangue que a placenta recebe e retardar o crescimento fetal. Ou seja, como ela reduz o fluxo de sangue para a placenta, é perigosa para o bebê, restringindo o crescimento dele. A pré-eclâmpsia também causa abortamento, prematuridade e sofrimento fetal agudo e crônico.

A prematuridade pode acontecer também em virtude da antecipação do parto. A indicação de interromper a gravidez depende da idade gestacional, da gravidade da pré-eclâmpsia ou eclâmpsia e da presença ou não de complicações.

Além disso, se a pré-eclâmpsia evoluir para a eclâmpsia, a pressão arterial sobe demais, colocando mãe e bebê em grande risco. A eclâmpsia pode causar convulsões, que podem levar ao coma e até ser fatais. Quando acontece, a eclâmpsia ocorre no finalzinho da gravidez ou logo depois do parto. Uma outra complicação é a síndrome de Hellp, que provoca problemas sanguíneos e dificulta a coagulação do sangue.

Gestações com mais de 34 semanas normalmente são interrompidas. Se abaixo de 24 semanas, a mãe - ou mesmo a família, caso a mãe não esteja consciente (o que é mais comum) -, é aconselhada a interromper a gravidez para salvar a vida da mulher.

O que vai acontecer depois que o bebê nascer?

Depois do parto, a pressão arterial normalmente volta ao normal, mas pode ser que leve semanas para isso acontecer, e o inchaço nas mãos e nos pés também pode permanecer por algum tempo. Nas primeiras 48 horas depois do parto sua pressão será monitorada de perto, e será preciso dar atenção à questão da pressão por algum tempo depois que você for para casa.

Alguns tumores placentários provocam pré-eclampsia sem que haja feto. A doença desaparece assim que a placenta sai do organismo da mulher.

Recomendações

* Vá ao ginecologista antes de engravidar para avaliação clínica e início da administração de ácido fólico;

* Compareça a todas as consultas previstas no pré-natal e siga rigorosamente as recomendações médicas durante a gestação;

* Lembre que a hipertensão é uma doença insidiosa, ou seja, que não se instala de forma súbita, portanto, que pode ser assintomática. Qualquer descuido e a ausência de sintomas podem fazer com que uma forma leve de pré-eclâmpsia evolua com complicações;

* Faça exercícios físicos compatíveis com a fase da gestação e suas condições orgânicas no momento, sempre sob supervisão de um profissional;

* Reduza a quantidade de sal nas refeições, não fume e suspenda a ingestão de álcool durante a gravidez.

Fontes: Drauzio Varella, Minha Vida, BabyCenter, Guia do Bebê,


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