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Os louros da vitória de Laura

03/05/2018 Laura.

"Desejamos muito esta filha. Estávamos tentando engravidar há meses, sem sucesso. Quando eu não esperava mais, veio a surpresa! Meu esposo recebeu a notícia na véspera do que seria o seu primeiro Dia dos Pais. A palavra felicidade nos descrevia!

As primeiras semanas foram tranquilas, eu trabalhava normalmente, não tinha nenhum sintoma, nem enjôo sentia. Até que em uma segunda-feira, em novembro de 2009 (com 21 semanas de gestação), fui trabalhar e naquela manhã levei um grande susto: tive um considerável sangramento. Fui na obstetra, foi realizada ecografia e foi constatado descolamento de placenta. Imediatamente fui internada, permanecendo com hemorragia por 8 dias. Meu estado de saúde era complicado, fazia ecografias e exames de sangue (coagulação) diariamente, tanto o bebê quanto eu corríamos riscos (aborto e embolia pulmonar materna). Ela parecia estar "agarrada" à parede uterina, como diziam os médicos, lutando pela sua sobrevivência. Após a parada do sangramento, com alta para casa, fui orientada a permanecer em "repouso absoluto".

Eu só levantava da cama para o banho e dava poucos passos pela casa. Tive que mudar para a casa de minha mãe naquelas semanas para receber os cuidados diários, porque meu esposo tinha que trabalhar e eu não podia ficar sozinha. Ela morava num prédio. Nas datas das consultas e exames, meu esposo me pegava no colo para descer e subir as escadas. Não fiz book de gestante, não tive chá de bebê. Tinha poucas roupinhas e acessórios para o bebê, porque não podia sair para comprar.

Num final de semana, na noite de sexta-feira, senti a barriga "endurecer". O bebê se embolava de um lado para o outro, agitado. Não dormi bem, sentia um mal-estar. No dia seguinte (sábado), acordei com fortes dores de cabeça, foi verificada minha tensão arterial (220 x 130 mmHg), muito alta! Após contato com a obstetra, novamente foi orientada internação. Iniciaram as coletas de urina por 24 horas (proteinúria) porque eu tinha um diagnóstico de pré-eclâmpsia. Comecei a inchar muito (sinal de insuficiência renal).

Num domingo, em 10/01/2010, após análise dos resultados dos exames, a obstetra optou por realizar a cesariana em caráter emergencial. Deu-me a notícia às 17h e já tinha a reserva de bloco cirúrgico para às 19:30. Eu entrei em pânico, tinha muitas dúvidas sobre o nosso futuro, chorava muito. E, neste dia, às 19:51, a Laura veio ao mundo, pesando apenas 1.150 gramas, medindo 38 cm, com 28 semanas e 05 dias de gestação.

Nos vimos muito rapidamente, pois ambas precisavam de cuidados. Uma, tão pequenina, foi direto para a UTI Neo. Apesar do nascimento prematuro, necessitava apenas ganhar peso, gozava de plena saúde, não precisou usar CPAP (entubar), teve Apgar nota 9 e chorou bastante! A outra, foi para a recuperação e precisou ficar "sulfatando" como dizem, fazendo uma medicação para não evoluir o quadro de eclâmpsia. Anos mais tarde, a médica contou-me que cheguei numa espécie de "pré-coma", com pré-eclâmpsia grave, estágio 3. Não lembro de muita coisa, minha mãe e esposo dizem que dormi por mais de 36 horas.

Acordei na terça-feira, dia 12/01/2010, e estava muito ansiosa por reencontrar a minha filha. Fui levada até a UTI Neo, não podia pegá-la no colo por orientação médica. Ela era tão indefesa, tinha muita pele sobrando, toda enrugadinha. Eu levei um choque inicial, fiquei muito assustada pelo seu tamanho e se conseguiria sobreviver.

Uma das minhas várias preocupações era se poderia amamentar, pois eu tinha muita vontade. Saí deste encontro com ela e fui direto ao Banco de Leite do hospital, providenciar a retirada de leite, que a alimentava, inicialmente através de sonda, em pequenas doses de 1 e 2 ml (gotas de leite). Reconheço hoje a importância que teve o aleitamento materno, a minha persistência, mesmo quando achava que não teria mais forças para fazer, devido ao estresse, cansaço e preocupações com a minha bebê.

Comemoramos as grandes vitórias diárias (ganhava 5 gramas, viva!) e as pequenas "derrotas" (perdia 10 gramas, ahh!). E na UTI Neonatal lutamos junto com a Laura por longos, mas vitoriosos, 59 dias. Passamos por todas as dificuldades que esta experiência proporciona, e que só sabe e valoriza quem passa por isso.

Hoje ela tem 7 anos, é uma guriazinha esperta, com saúde e nos dá muito orgulho e alegrias! Graças a Deus, às equipes médica e de enfermagem competentes que nos atenderam e a nós, seus pais, que ficamos firmes e fortes ao seu lado! "Quem acredita sempre alcança."

Significado do nome Laura: "Os louros da vitória!". Ela faz jus ao seu nome."

(relato da mamãe Rosália Ribeiro de Souza, enviado em 2017)



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