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Meus pássaros Miguel, Murilo e Alice

08/02/2018 MiguelMuriloeAlice_HR_01

"Após anos de tentativas e uma perda gestacional de gêmeos, precisamos de ajuda médica para engravidar novamente. Em função das dificuldades físicas, nossas chances eram de apenas 20% e 'certamente' não seria em uma primeira tentativa. A indicação médica foi de iniciarmos com IA, mas sem muitas expectativas. Durante o processo, soubemos que o lado onde havia passagem total na trompa, havia apenas 1 óvulo e do outro lado (que não tinha passagem total) havia 2 óvulos. Oramos muito para que aquele único óvulo em condição promissora chegasse ao seu destino. Deus ouviu nossas preces e um milagre aconteceu! Engravidamos, na primeira tentativa de IA, não apenas de um, mas sim de três! Deus me escolheu para receber três anjos ao mesmo tempo. Logo eu, uma mulher tão pequena...

Deus me emprestava para amar e educar três pássaros - dois meninos (Miguel e Murilo) e uma menina (Alice). Uma gestação muito complicada, de muitas dificuldades e medo. Repouso desde os os primeiros dias, cerclagem e às 25 semanas, entrei em trabalho de parto! Fomos internados e lutei como pude para mantê-los comigo o máximo que fosse possível. Sem poder andar, sentindo os efeitos do repouso forçado, o cansaço, as dores, entreguei nosso destino a Deus. Com 27 semanas e 5 dias, nasceram meus três anjos, meus três pássaros! Meus meninos com 975g cada e minha meninas com 795g. Apesar de ter conhecimento que ficaríamos na UTI por um período longo, NUNCA imaginei quantas batalhas iríamos enfrentar! Quantas dores, lágrimas e quanto medo sentiria.

Com 24 dias de vida, meu anjo Miguel voltou para casa de Deus. Meu pássaro mais velho (1 minuto) nos deixou e junto levou um parte de mim, deixando um buraco no peito que até hoje não fechou. Não sou capaz de esquecer aquele dia. Não sou capaz de esquecer nossa despedida e o único abraço que pude dar a ele, já sem vida. Meu filho foi cremado em uma manhã de muita tristeza. À tarde, precisei reunir os meus pedaços e voltar para a UTI. Lá estavam meus outros dois pássaros, lutando pela vida e precisando muito do meu amor e do meu leite. Segui e pedi muito para Deus me carregar nos braços, porque seria apenas assim que eu poderia continuar.

Foram 95 dias de luta. 95 dias de lágrimas escondidas, de joelhos no chão do banheiro e de muita, muita muita oração! Não dormi esses dias, apenas colocava o corpo para descansar, porque meu coração e minha mente não saiam daquela sala. Enfrentamos cirurgias, infecções graves, anemias, transfusões semanais, apnéias diárias, dependência de oxigênio, não ganho de peso e tantas outras questões, mas as lembranças que ficam no meu coração são as conquistas! Cada vitória, cada evolução, cada dia que algo bom vinha e que mostrava o quanto Deus estava realmente nos carregando nos braços.

Hoje, os pequenos Murilo e Alice stão quase completando 2 anos e todos os dias me ensinam a ver o mundo com olhos de vitória. Descobri mais sobre mim nesses últimos anos do que em toda a minha vida! Sou grata demais por tudo que Deus fez por nós. Ganhei de Deus três pássaros. Um voou muito cedo para fora do ninho, mas nos ensinou que a beleza da vida está nos instantes, como o bater das asas. Continuo o trabalho de ensinar meus outros dois pássaros a voarem, pedindo a Deus que me guie e ampare nessa tarefa. Nada é para sempre, nenhuma dor é eterna. Nenhum peso é grande demais quando se tem fé. É preciso apenas um grão de mostarda, apenas um! Sabe essa dor? Vai passar!"

(relato da mamãe Camila Felix Gonçalves Raldi, enviado em 2017)



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