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Maria Eduarda: o amor cura!

08/01/2018 Maria Eduarda.

"Olá pessoal do Prematuridade.com! Gostaríamos de compartilhar com vocês nossa história, pois, como muitos relatos aqui, trazemos lições de dor, perda, mas, principalmente, superação, união, esperança, e principalmente de amor… o amor que cura!

Nos casamos em 2013, depois de muitos anos de namoro, e decidimos que era hora de engravidar. Dois anos se passaram e, em 2015, iniciamos diversos tratamentos. Em março de 2016 que a notícia veio - seriamos pais de gêmeos, um casal! Quanta alegria! Havíamos nos mudado de país e entre Brasil, Emirados Árabes Unidos e Suíça, nossa gravidez foi extremamente saudável (apesar de delicada), sendo sempre acompanhados por excelentes profissionais, nosso médico no Brasil, em Dubai e o último aqui em Genebra.

Chegamos na Suíça meados de junho, aos 3 meses de gestação com ambos os bebês se desenvolvendo bem e já aproveitando o verão. Tudo mudou na noite de 5 de agosto, quando a inesperada ruptura de uma das bolsas nos levou a emergência do Hospital Universitário de Geneve (HUG). Ainda estávamos nas 23 semanas de gestação, sendo a maior preocupação (nossa e da equipe médica): a chance de sobrevivência caso os bebês nascessem naquele momento era muito baixa, medo e angustia tomaram conta de nós. A bolsa que rompeu foi a do Theo. A equipe então começou as manobras para postergar o nascimento dos bebês. Neste momento, os avós já estavam se organizando para pegar o avião e vir ao nosso encontro.

Mesmo com todo trabalho da equipe, a natureza seguiu seu curso e no dia 9 de agosto nasceram, Theo e Maria Eduarda de parto normal. Momentos antes do nascimento, já tínhamos dúvidas se ambos os bebês estavam bem e, como confirmado posteriormente, nosso filho Theo não sobreviveu. Os médicos não conseguiram descobrir a causa do rompimento prematuro da bolsa. Maria Eduarda nasceu com 24 semanas e 2 dias, 590 gramas. Ainda na sala de parto ouvimos seu frágil e dócil choro. Nós entramos numa montanha russa de sentimentos: alegria pela chegada de Maria Eduarda, tristeza profunda pela perda de Theo, a angustia e medo pelo que iríamos enfrentar e o amor, o amor de pais que nasceu junto com nossos filhos, que nos manteve unidos e fortes para ajudar nossa filha que tão cedo estava enfrentando uma grande batalha.

Ela foi encaminhada imediatamente para a UTI Neonatal, onde iniciou sua luta pela vida, passando por todas as dificuldades de um prematuro extremo. Entubada no primeiro dia, contraiu uma infecção por uma bactéria rara. Tratada, demonstrava dificuldades na evolução respiratória, passou por cirurgia devido a persistência do canal arterial aberto e demonstrava possível Enterocolite Necrosante. As primeiras semanas foram duras, dia e noite nos revezamos nas salas da UTI. Com a ajuda da família que veio de longe, mantivemos a esperança. Não só o casal unido, cuidando um do outro (física e psicologicamente), mas ter a família ao nosso lado naquele momento foi decisivo. Todo o tratamento dado no hospital foi excepcional. Maria Eduarda teve tudo de mais novo para o tratamento de prematuro.

Com apenas 4 dias de vida e 600g, ainda entubada, ela veio ao colo e, pela primeira vez, sentiu o calor dos braços da mãe! Foi uma hora de canguru, seu peso era quase imperceptível, mas foi um momento que nunca vamos esquecer, ali coração com coração nós trocamos amor, ela nos dando energia, nos ajudando na dor da perda do Theo e nos mostrando aa ela que estaríamos lá com ela sempre, que a amávamos muito. Os dias seguiram, entre bons e outros nem tanto, horas de canguru, lágrimas e sorrisos. Maria Eduarda ficou 2 meses na UTIneo, 1 mês na semi intensiva e mais 1 mês na unidade de preparação antes de ir para casa. Sua maior luta era com a respiração. Ela apresentou um quadro de displasia pulmonar, demorou para tirar o suporte respiratório, mas ela conseguiu! Maria com seu jeitinho brasileiro de ser conquistou toda a equipe suíça, sendo o xodó do hospital, tirando lágrimas e sorrisos de todos.

No dia 03 de dezembro de 2016, um dia de muito frio, levamos nossa mini baby para casa. Ela pesava 1,900g sem sequelas, respirando muito bem! Hoje, Maria Eduarda é uma bebê super saudável, alegre, se desenvolve bem e distribui sorrisos a todo instante! O que podemos dizer para quem está vivendo uma situação semelhante? Viva um momento por vez, não desanime, um dia após outro, semana a semana e, com certeza… o amor cura!"

(relato dos papais Ana Paula e Rafael, enviado em 2017)



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