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Mães de Minas Gerais comemoram 1° ano de seus bebês prematuros

02/06/2017 maesprimeiroano01

Há três semanas, 12 mães e seus bebês se encontraram para uma tarde de festa. A comemoração seria igual a tantas outras, não fosse por um detalhe: apesar de serem amigas há um ano, era a primeira vez que aquelas mulheres se encontravam fora de um hospital. A amizade delas nasceu na sala de espera da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) neonatal e se fortaleceu no drama individual de cada uma, enquanto acompanhavam seus pequenos guerreiros na luta pela vida.

Veja o vídeo:

A partir dali, elas criaram um grupo e passaram a se apoiar e a trocar informações, confidências, orações e, principalmente, carinho. O encontro celebrou simbolicamente o primeiro ano de vida dos bebês – que têm idades entre 9 meses e 1 ano e 1 mês. “O grupo foi muito importante. Era uma luta diária, uma mãe se apoiava na outra. A gente comemorava cada pequena conquista”, conta Alexandra de Castro Almeida, 32, mãe de Eduardo, 10 meses.

Ele nasceu com 29 semanas de gestação, um caso de prematuridade extrema – a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera o nascimento “a termo” (no tempo certo) entre 37 e 42 semanas. Foram dois meses na UTI e muita angústia na família. “O dia que eu mais chorei foi quando tive alta, e ele, não. Sair do hospital sem barriga (de grávida) e sem o bebê no colo é muito difícil”, lembra.

Na mesma UTI estava a pequena Mariana, hoje com 10 meses. Ela é filha de Tâmara Paulista, 33, e nasceu com 27 semanas e cinco dias de gestação. Durante 79 dias, a mãe acompanhou a filha na internação neonatal. “Tudo para mim era muito importante: trocar a fralda, colocar a roupinha pela primeira vez, acompanhar o banho. Eram sinais de que ela estava melhorando”, relata, com a voz embargada.

As vitórias demoraram mais para Flavinéia dos Santos, 27, mãe de Lara, 1 ano e 1 mês. A menina ficou 84 dias internada e no isolamento porque foi contaminada por uma bactéria. “As crianças iam melhorando, e só a minha não saía do tubo. As outras mães me deram muita força”, diz.

Entre essas amigas estava Loren Santos, 30, mãe das gêmeas Alice e Helena, que nasceram com pesos considerados extremamente baixos pela OMS – 660 g e 1,090 kg, respectivamente. “As duas são milagres”, resume a mãe. Em decorrência das complicações, Alice tem paralisia cerebral. Helena se desenvolve normalmente e é muito carinhosa com a irmã.

Informação

As mães dizem que durante a gestação tinham poucas informações sobre prematuros. A diretora executiva da Organização Não Governamental (ONG) Prematuridade.com, Denise Suguitani, diz que a situação é comum, apesar desse tipo de parto representar 12,4% do total de nascimentos no Brasil. “É importante que as mães se apoiem. Tem muitos altos e baixos até o bebê ficar bem”, afirma.

Ranking brasileiro

Todos os anos, 15 milhões de crianças nascem antes do previsto no mundo. O Brasil é o 10º do ranking mundial em número de prematuros. Índia e China estão no topo da lista.

MEDICINA - Causas ainda são pouco conhecidas

A prematuridade é a principal causa de morte de bebês de até 1 ano de vida, e a medicina ainda não conseguiu desvendar todos os motivos que levam aos partos antes do recomendado. “O mundo começou a dar importância para a prematuridade há pouco tempo”, diz o coordenador do projeto P5 – Progesterona e Pessário Cervical para Prevenir Parto Prematuro –, coordenado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Rodolfo Pacagnella. Na instituição, há dez pesquisas em curso para identificar fatores de risco.

Pacagnella diz que um bom pré-natal é fundamental para prevenir a prematuridade porque pode identificar problemas e possibilita adotar procedimentos ou aplicar medicamentos para retardar o parto. “A maioria das grávidas faz pré-natal, mas a qualidade deixa a desejar”, diz.

No Brasil, são cerca de 340 mil nascimentos prematuros por ano. De acordo com o especialista, um terço é por cesarianas, após a identificação de algum problema na gestação. Nos outros dois terços, a grávida entra em trabalho de parto espontaneamente.

Fonte da notícia: O Tempo (notícia original publicada em 14/05/17)
(Fotos: Arquivo pessoal)



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