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Linda Helena, uma guerreira iluminada

10/03/2017 lindahelenacomlogo01

"Escrevi minha história como se fosse narrada pelo bebê, minha filha Linda Helena.

A gestação, considerada normal até a chegada do grande dia (nada levava a crer na prematuridade), pré-natal realizado todos os meses e a presença do papai em todos os momentos (o que trazia mais felicidade ainda a mamãe!).

O grande dia, 23/11/2013 chegou antecipado, cheio de surpresas! Mamãe levantava para ir ao banheiro e se deparou com um sangramento intenso na madrugada em que completaria 30 semanas de gestação. Entrou em trabalho de parto espontâneo e, quando menos esperou, estava na sala de observação. O médico a alertou que o hospital não tinha suporte para me receber, que éramos caso de UTI e descartou minha chance de vida, porém retirar a mamãe dali era também colocar em risco a vida dela! Nesse momento, Deus esteve ao nosso lado o todo tempo e ela provou uma força jamais sentida! Era o Senhor segurando sua mão e dando a certeza da vitória. Toda família ficou de plantão a espera de notícias. Enquanto isso, todos procedimentos possíveis para segurar a gestação foram tomados, ainda com fortes contrações e dores cada vez mais fortes.

Chegados aos 9 cm de dilatação, estava quase nascendo de forma normal. Já se passavam dez horas de internamento, foi necessário a realização de parto cesáreo, na tentativa de causar menos sofrimento ao bebê e tamanha foi a surpresa dos médicos que me receberam cheia de força para lutar pela vida. Tratava-se de uma bebê do tamanho de um controle remoto. Com 32 semanas, meu tamanho era de apenas 38cm, pesei 1,405kg, mas sou uma guerreira iluminada! Não chorei assim que nasci, mas logo os surpreendi, pois fui reanimada e utilizei um aparelho para auxiliar a respiração, o CPAP, o qual permaneceu em mim por 10 dias.

Mamãe diz: "A primeira vez que olhamos nossa filha, tão pequenina, queríamos envolvê-la em nossos braços e protegê-la de tudo. Mal sabíamos que, na realidade, ela já nos ensinava que ser pais é também dar a ela a responsabilidade de provar o mundo e aprender a viver nele, um espaço bem diferente da barriga."

Além de todo recurso presente na UTI, tinha também um espaço reservado para a mamãe, o lactário. Com muita determinação, ela passou todos os dias de internamento entrando ali para ordenhar o leite materno por meio de uma seringa. Grande era a quantidade de leite em relação as outras mamães. Várias vezes mamãe acordava de madrugada chorando de dor com o peito cheio e, "na pousada" onde permaneceram enquanto eu estava internada, faziam compressas de água quente, massagens e esvaziamento da mama. Mamãe diz: "não foi fácil, deixar de sentir o carinho da boca do bebê e substituir por uma seringa, mas o desejo de sentir esse momento chegar me dava forças para alcançar esse objetivo."

Estávamos todos diante uma verdadeira montanha-russa, um misto de sensações. Foram 39 dias, em que cheguei a pesar 1,180kg. Nesse tempo, provamos diversos sentimentos, o medo, a angustia, a dor em nos separarmos todas as noites, a distância da família para nos confortar, mas provamos também da esperança, da fé, da companhia de pais que compartilhavam do mesmo que eles e a troca de experiências que os fortaleciam e o amor, principal entre eles, pois prevaleceu diante qualquer obstáculo!

Foram 8 paradas respiratórias (apneias), teste do pezinho alterado, o que nos levou a diversas viagens a Salvador após receber alta, o peso controlado dia a dia, contado em pequenas gramas que significam uma felicidade sem tamanho. Momentos que ficam marcados para sempre, o primeiro banho, a queda do cordão umbilical, o primeiro contato corpo a corpo, as trocas de fralda e alimentação por sonda até chegar um presente de Natal que foi amamentá-la pela primeira vez e de virada de ano ao recebermos pré-alta.

Passei 39 dias na UTI e tenho muita história para contar desse período, em resumo: hoje estou firme e forte junto a meus pais, correndo, pulando e dando trabalho como qualquer criança a termo.

Beijo a todos!"

(relato da mamãe Mariana, enviado em 2015) 



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