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Jogos tratam funções motoras e cognitivas de maneira lúdica

03/05/2017 01

Como entretenimento e diversão, os jogos eletrônicos já estão mais do que presentes na vida dos jovens, mas para algumas crianças e adolescentes eles têm se tornado uma ferramenta fundamental no tratamento de reabilitação física, ajudando a transformar a vida deles.

Os videogames oferecem estímulos diferentes em relação às técnicas convencionais de tratamento fisioterápico, e, com isso, a criança tem mais disposição para enfrentar os desafios que a reabilitação exige, segundo o terapeuta ocupacional da Associação Mineira de Reabilitação (AMR) Rafael Coelho.

O uso de consoles de games de realidade virtual, como Wii (Nintendo), Kinect (Xbox 360) e Playstation Move (Playstation), se devidamente acompanhado por um profissional qualificado, permite às crianças com algum tipo de disfunção neurológica trabalhar habilidades motoras e cognitivas de forma lúdica e motivadora.

Segundo o terapeuta, o tratamento é feito com os mesmos jogos vendidos em lojas convencionais, que, antes de serem utilizados passam pela triagem de um profissional e são adaptados às necessidades de cada criança. A técnica pode ser aplicada a partir dos 4 anos, quando a criança já é capaz de entender a demanda de cada brincadeira.

“Essa ferramenta não substitui os outros métodos. Além disso, não existe terapia só com videogames. Ou seja, numa sessão de 45 minutos, os jogos são usados por no máximo 15 minutos. Eles são parte da sessão”, destaca o especialista. Segundo a superintendente geral da AMR, Márcia Castro, o método vem sendo aplicado na instituição desde 2008 e pode ser usado de duas a cinco vezes por semana.

Um dos pacientes da reabilitação virtual na AMR é Miguel de Brito, 9. A mãe e assistente técnica em educação Juliana de Brito, 43, conta que a prematuridade do parto, com 28 semanas, levou a sequelas motoras. Quando o filho iniciou o tratamento, aos 4 anos, não mexia as mãos e tinha as pernas tortas. “Ele nem percebe que está fazendo o exercício, agora já fala que pretende ser designer de games”, afirma a mãe.

Tendência

O médico fisiatra e vice-presidente da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR), Eduardo de Melo Carvalho Rocha, diz que nos últimos dez anos a reabilitação virtual e o uso da robótica se tornaram “ótimos auxiliares”. “Alguns estudos já conseguiram mostrar que, quando presentes, esses métodos conseguiram agilizar o tempo de reabilitação dos pacientes, além de não apresentar risco de danos ou complicações”, afirma.

Demanda

Segundo a superintendente geral da AMR, Márcia Castro, a instituição desenvolve um tratamento multidisciplinar. “A fila de espera tem 170 crianças aguardando a oportunidade de começar o tratamento. A capacidade da AMR é para tratar gratuitamente 470 crianças”, conta.

Fontes: O Tempo (notícia original publicada em 01/05/17)
(Foto: Reprodução)



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