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João Bernardo: vontade de viver

09/02/2017 joaobernardocomlogo01

"Sou Ana Paula Miranda, meu marido se chama Marco Antonio de Souza, somos pais do pequeno João Bernardo. 

Ser mãe... nunca passou pela minha cabeça! E mãe de um prematuro? Sempre imaginei que esse problema estivesse muito distante da minha realidade. Ficava muito ofendida, inclusive, quando alguém me falava que eu deveria diminuir meu ritmo de trabalho e de vida. Sempre fui acelerada, afinal de contas, gravidez não é doença!

Acontece que, com 26 semanas de gestação, meu pequenino veio ao mundo, pesando 720g, medindo 32cm e com uma vontade enorme de viver! Meu ritmo de vida não foi o causador do parto, e sim uma infecção generalizada no útero e, consequentemente, o parto prematuro. Eu, que nunca tinha ouvido falar em bebês prematuros extremos, mergulhei de uma hora para outra nesse minimundo, cheio de sondas, acessos venosos, monitores que apitam por todos os lados. Estar com o bebê numa UTI não é fácil por uma infinidade de motivos, além do mais importante, que é não poder ter seu bebê em seus braços e levá-lo pra casa como programado. A sensação de vazio ao sair do hospital é algo que não se explica. Você sai, e deixa seu bebê aos cuidados de estranhos. Estranhos que em muito pouco tempo você considerará parte da sua família, e aos quais será grata para o resto de sua vida. Com o tempo, a rotina se estabelece: arrumar a mala e literalmente mudar-se para o hospital. Camas coletivas, banhos coletivos, refeições coletivas. Uma vida resumida em estar dentro de um hospital 24 horas por dia, 07 dias da semana, um mês inteiro, e quando vê foram três!

Nem sempre foi fácil, confesso. A intenção era levar energias positivas, mas, em dias de notícias ruins, era difícil segurar o choro e manter o bom astral na frente daquele serzinho tão frágil. Entretanto, sempre que possível, era a mãe mais animada da UTI. Piadas e brincadeiras eram as coisas mais constantes no box do João Bernardo; choro e tristeza, só da porta pra fora e por poucos minutos, para desafogar os sentimentos e chutar a bola para a frente de novo.

E as conversas na fila dos pais e das visitas? Pergunta mais comum feita por quem chegava: "há quantos dias vocês estão aqui?". A resposta era o suficiente para gerar uma expressão de pena em todos que ainda não conheciam aquela história. Eu também fiz essa pergunta no início, não vou mentir, e devo ter feito essa mesma cara. Com o tempo percebi o quanto aquelas conversas, com pessoas que já tinham passado ou ainda passariam pelo mesmo que você, eram acalentadoras. Torcer pela melhora, chorar pela derrota e vibrar com as conquistas de todos era bom demais, e ainda é. Mais uma parte da família que se cria numa UTI!

Depois de 90 dias, a maioria dos dias no tubo de oxigênio, 4 na caixinha, 9 transfusões de sangue, (sim, tudo isso!), com mais de 2,5 kg e a mesma vontade de viver, finalmente meu filho saiu da UTI! Fomos para o quarto e aí, sim, descobri a rotina de ser mãe, só que de um bebê de 3 meses, ainda com tamanho de prematuro! Depois de aprender a dar banho, trocar fraldas e curtir os primeiros dias sem sair do colo, era hora de ir para casa.

E quem disse que você fecha os olhos quando chega lá? Ah, não! Nossa rotina durante os primeiros dias era assim: vovó, mamãe e papai fazendo revezamento ao lado do berço a madrugada inteira! E se ele parar de respirar? E se engasgar? E se insaturar? E se? E se? São muitas as dúvidas e os medos, mas eles passam, tanto que quinze dias depois já vivíamos uma vida normal - ainda sem visitas, com várias restrições, mas éramos mãe e pai de um bebê saudável!

E agora, com quase 01 ano e 04 meses? Bom, ele ainda é pequenino. Mas quando nos perguntam quantos foram os dias de UTI, qual a sua idade, deixamos de ver os olhares de pena e passamos a receber outros, de admiração. Foram 90 longos dias de UTI e nenhuma sequela até o momento. Não foi fácil, mas nós vencemos! Quando digo nós, estou me referindo a mim mesma, ao João e a todas as meninas da Neo que estiveram o tempo todo do meu lado e do lado do Joãozinho. Simplesmente não sei como agradecer. Deus abençoe cada uma delas!"

(relato da mamãe Ana Paula, enviado em 2015)



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