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História da Isabela

06/07/2017 IsabelaFoto7

"Esta é a história de um milagre chamado "Isabela". Eu tinha um diagnóstico de endometriose, e, por isso, minha médica disse que poderia ser demorar para engravidar. Na época, me conformei com a notícia, eu tinha cerca de 22 anos e naquele momento não planejava ter filhos. Em julho de 2012, descobri que estava grávida de 9 semanas. Foi uma surpresa pois eu tomava anticoncepcional. Foi neste momento que o milagre começou.

Procurei um obstetra na minha cidade, e, com muitas recomendações dele, marquei minha primeira consulta de pré-natal. O médico tinha aparelho de ultrassom no próprio consultório e isso me alegrou muito pois a cada consulta eu poderia ver meu bebê. As consultas iniciaram tranquilas, fiz alguns exames de rotina e o médico dizia que estava tudo bem comigo e com o bebê. Mas no meu coração eu sentia que algo não estava bem, e não era só pelo fato de eu não ter barriga nenhuma. Eu consultava com bastante frequência, sentia fortes cólicas e um cansaço fora do comum, mas o obstetra dizia que tudo estava dentro da normalidade, e me estimulava a praticar exercícios físicos e seguir uma dieta pouco calórica. Eu questionava dizendo que não estava segura com o fato da minha barriga ainda não ter crescido mesmo com 25 semanas de gestação, e o doutor insistia que isso era por causa do meu biotipo físico. Porém, nesta consulta das 25 semanas de gestação o próprio GO se assustou quando me deitei para fazer o ultrassom, pois viu que minha barriga estava reta, sem nenhum volume indicando que eu estava tendo uma gestação. Porém ele disse para eu retornar em 15 dias, e se a barriga ainda estivesse desta forma ele pediria exames. Repassei esta informação para meu esposo que naquele dia não havia me acompanhado na consulta, e ele assustado, pediu para que eu procurasse imediatamente outro médico para uma segunda opinião.

Entrei em contato com a Santa Casa e lá consegui uma consulta médica. No exame clínico, a nova GO já sinalizou que a altura uterina estava muito aquém do que deveria estar, pois a altura uterina acompanha as semanas de gestação, e com 25 semanas a AU deveria ser 25 e não 18! Ela pediu uma ecografia com Doppler, em caráter de urgência. Fiz a ecografia e o percentil do bebê estava em 25, quando deveria ser 50. Eu e a GO combinamos de nos ver toda a semana. O ruim era que a previsão para o nascimento do bebê era para segunda quinzena de fevereiro, e neste período era carnaval e a GO estaria de férias. Consegui uma consulta com outra GO muito renomada, porém quando ela viu meu cartão de pré-natal e minha eco doppler, ela simplesmente se recusou a pegar o meu caso, pois não estava acompanhando gestantes de risco.

Continuei o pré-natal com a GO da Santa Casa que me dava toda atenção possível e acompanhou cada detalhe da gestação. Ao contrário do primeiro GO que me atendeu, ela pediu para eu fazer repouso, aumentar o aporte calórico e não fazer atividades físicas. Com 26 semanas, passei a ter dores de cabeça terríveis e minha pressão arterial estava elevada, estava com edema e os exames indicavam que estava numa situação limítrofe para pré-eclâmpsia. Então, a médica pediu para eu fazer repouso absoluto por 14 dias. Fiquei em repouso conforme indicação médica, e, ao voltar para o trabalho, não me sentia nenhum pouco disposta, pois estava sentindo os sintomas da pressão alta. Nesta mesma semana, ao fazer a eco Doppler de acompanhamento, o percentil do bebê havia caído de 25 para 10. Isso era um fator de risco, e, então, a médica me afastou do trabalho por tempo indeterminado, até o nascimento. Eu precisei voltar ao repouso absoluto, tomar medicação para fortalecer o pulmão do bebê e tomar medicação com corticóides. Neste período, tive que ir para a casa dos meus pais, pois eu só podia levantar da cama para tomar banho e ir ao banheiro. A GO não quis me internar no hospital, mas fizemos um acordo de que a cada 2 dias eu deveria ir para a Santa Casa e passar o dia me submetendo a exames: MAP, ecografia do perfil biofísico fetal e demais exames clínicos. Eu precisei ficar deitada em casa durante todos os dias, minha barriga era monitorada o tempo todo, e, se o bebê ficasse uma hora sem se mexer, eu precisava ingerir um determinado produto, e, se mesmo assim o bebê não se mexesse, eu precisava correr para o hospital. Além disso, a cada 2 dias precisava fazer uma eco Doppler que eu não conseguia fazer no hospital devido a agenda estar lotada. Então, algum familiar me ajudava a marcar numa clínica perto de casa. Teve vezes que tivemos que ficar horas esperando para sermos atendidos, mas sempre consegui fazer todos os exames.

Com 31 semanas, a Isabela parecia estar reagindo e passou para o percentil 15. Foi uma festa! Ficamos muito felizes. Porém, dois dias depois nos exames da Santa Casa ela entrou em sofrimento fetal. Os médicos plantonistas queriam interromper a gravidez, mas a minha GO fez de tudo para segurar a gestação e tentar uma evolução no quadro. Meu esposo e eu passamos Natal e o Ano Novo de 2012 no hospital. Deus havia colocado uma paz tão grande em nossos corações que em momento algum nos desesperamos, estávamos firmes e confiantes. No dia 10 de janeiro de 2013, acordei muito mal, com muito edema, dor de cabeça, fortes cólicas. Logo fui fazer a eco Doppler que estava agendada, e, para minha surpresa, a médica ficou muito assustada fazendo o exame, pediu o telefone da minha GO e disse que eu não poderia sair da clínica até ela conseguir contato com a minha médica. A GO pediu para que eu fosse imediatamente ao hospital. O percentil do bebê estava em 5 e o líquido amniótico estava abaixo do normal. Meu esposo e eu chegamos ao hospital, porém não havia leitos para internação. Tivemos que esperar até o outro dia de manhã cedo, onde entrei direto para o Centro Obstétrico. Fiquei em observação e aguardando novos exames. Estava com pré-eclâmpsia, o percentil do bebê havia caído para 3 e havia severo sofrimento fetal. O bebê estava perdendo peso na minha barriga ao invés de ganhar.

A Isabela nasceu com 32 semanas numa cesárea de emergência no dia 12 de janeiro, com 45cm e 1,6kg. Eu não a vi quando ela nasceu. Ela foi levada diretamente para a UTI Neonatal, teve uma parada cardiorrespiratória, ficou vários dias em ventilação mecânica, depois ficou mais um período com CPAP (respirador). A Isabela teve uma infecção generalizada na forma mais severa que é a sepse, contraiu meningite bacteriana, fazia apneia, teve icterícia, entre outras complicações. O aparelho digestivo não estava maduro, e, desta forma, não funcionada corretamente. A sepse causou um tipo de atrofia muscular.

Peguei a Isabela no colo quando ela já tinha 5 dias de vida. Vi seu rostinho com 11 dias, pois ela estava sempre com máscara nos olhos devido ao tratamento de fototerapia, havia sonda no nariz e mais o respirador. Eu mal conseguia enxergar suas bochechas. As notícias na UTI sempre eram as menos favoráveis, onde o pior sempre era dito e estávamos cientes de todas as prováveis sequelas da prematuridade decorrente da restrição do crescimento intra-uterino (RCIU) que tive. Decidimos que não iríamos temer más notícias. A Isabela recebeu alta depois de quase um mês, surpreendendo a equipe de neonatologia, pois todos diziam que ela ficaria muito tempo na UTI.

Tivemos grandes dificuldades com a Isabela, pois para ela mamar 5ml era uma luta, ela não tinha força para mamar, pegava o peito com muito esforço, dava duas mamadas e dormia de tão cansada, e então complementava a alimentação dela com um conta gotas. Ela acordava de hora em hora para mamar. Logo apresentou refluxo gástrico e asma brônquica. Ela usou roupas tamanho RN até os 6 meses, era muito difícil ganhar peso pois mamava pouco e ainda vomitava com bastante frequência. Lembro que era preciso colocar esparadrapo para firmar as meias na perninha da Isabela, ela era tão pequena que qualquer roupinha ficava enorme.

Hoje, a Isabela tem 3 anos e 10 meses. Precisou de muita fisioterapia, estimulação precoce acompanhada de um foniatra. Começou a caminhar com dificuldade depois de 1 ano e meio e até os 2 anos ainda estava no jargão, linguagem equivalente a bebês de 9 meses. Tudo com ela foi lento, precisamos de muita paciência, perseverança e, principalmente, muito amor para entender e aceitar cada processo e cada limitação da minha filha. Isabela é hoje uma criança alegre, falante, sociável e ter ela é viver o milagre a cada dia. Deus nunca falha. "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã" (Salmos 30:5)".

(relato da mamãe Kalinka Meurer, enviado em 2016)



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