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Elora: milagre de Deus

11/12/2016 eloracomlogo05

"Em 2011, engravidei. No dia 04/10, com 26 semanas e 2 dias de gestação, o que significa 6 meses e 1 dia, estava sentindo um desconforto e procurei meu médico. Fui até a Maternidade Santa Fé, ele fez um ultrassom e confirmou que estava tudo bem com a bebê dizendo: "Ainda bem que está tudo bem, pois se nascesse agora, morria". Ele mandou eu ir para casa, eram aproximadamente 17 horas. 

Fui para casa, cheguei praticamente arrastada de tanta dor, subi 4 andares e deitei um pouco. O desconforto só piorava. Aproximadamente 19h, liguei para o Dr. Régis de novo e continuei reclamando de dor. Ele mandou eu ficar deitada, mas eu não tinha posição, de todo jeito sentia dor. Resolvi tomar um banho e quando saí do banheiro escorreu um monte de água perna abaixo. Me desesperei! Liguei para meu marido e ele disse que já estava chegando. Eu falei que estava com muita dor, liguei para o Dr. Régis e ele disse que ainda não era hora da minha filha nascer, que às vezes eu estava com vontade de fazer xixi e não aguentei segurar. O Lúcio chegou em casa e viu o líquido espalhado no quarto, eu gritando de dor e também se desesperou. Ligou para meu médico, que falou que não poderia ir ao hospital, mas que me levasse para lá que algum médico plantonista iria me examinar.

Fomos para o hospital eu, Lúcio, minha mãe, minha irmã Tainá e o marido dela. Chegamos por volta das 21h. Era muitaaaaaaaaaa dor! Nossa, que dor é essa. Achei que estava morrendo. Eu sempre avisei que queria cesárea, pois não queria sentir a dor do parto normal. Até então, ninguém aqui em casa acreditava que a apressada estava nascendo e que a maldita dor eram as temíveis contrações.

Chegando na Maternidade Santa Fé, o médico me examinou e avisou que já estava nascendo! O Lúcio ligou para o Dr. Régis e o médico informou que ele nem precisava aparecer lá que não daria tempo. Me passaram na frente das outras grávidas, eu já estava com 8cm de dilatação. Informaram que iam me dar uma anestesia peridural e que ia doer um pouco. Mas quem é que sente dor de picada de agulha numa hora dessas, né?! Eu só chorava e falava que não podia nascer agora, senão morria, que foram as palavras do Dr. Régis. Não saiam da minha cabeça: “se nascer agora, morre”.

Perna aberta, pronta para o parto normal e a Dr.ª Zulene, pediatra, pede para o Dr. Marcos fazer cesárea, pois meus sintomas eram de infecção urinária. Pronto, outra anestesia e um corte enorme na barriga. Tem que ser muito mulher para sentir a dor de um parto normal e terminar numa cesárea!

No dia 04 de outubro de 2011, às 21:34 horas, nasce minha princesa com 1,055kg, com prematuridade extrema de 26 semanas e 2 dias. Escutei um gritinho, a médica enrolou ela em plástico filme e levou direto para o CTI. Eu só chorava e ficava esperando a notícia que ela não sobreviveu, tinha perdido toda minha fé.

Elora ficou internada no CTI Neonatal do Hospital Maternidade Santa Fé, em Belo Horizonte (MG) por 55 dias. Enfrentou várias complicações como hemorragia cerebral, pulmão que ainda não estava formado, canal do coração aberto e retinopatia da prematuridade. Além disso, perdeu peso, chegou a 870 gramas, teve várias crises de apneia, duas pneumonias, anemia, infecções, fez transfusão de sangue, hora ficava entubada, hora ficava na ventilação mecânica, a todo momento tiravam sangue nela para fazer exames. Mas tudo isso tornou-se pequeno, perto da força que esta princesa nos mostrou.

Para mim, foi muito difícil. Eu chorava a todo momento e as enfermeiras brigavam comigo, dizendo que eu tinha que passar energia para ela. No começo, eu não acreditava, mas Deus é maior. A cada dia que chegávamos no hospital a espera de uma notícia, sempre ouvíamos a mesma coisa: é um bebê grave, apresenta várias complicações, tem que aguardar.

Quando Elora completou quase um mês, foi tirada a respiração mecânica e peguei nela pela 1ª vez. Ela respirava sozinha, mas 3 dias depois teve que ser entubada, nunca chorei tanto em minha vida.

Ela começou a mamar (1ml por sonda). Às vezes, as enfermeiras colocavam bico nela, porque era muito escandalosa. Como pode um trenzinho tão pequenininho fazer escândalo? O dia que ouvi o seu chorinho pela primeira vez foi lindo. Eu chorei muito com cada crise e com cada avanço que aconteciam lentamente.

Depois, foi a vez de mudar de lugar no CTI. Passou para a incubadora que fica próximo a saída e, quanto mais o tempo passava, mais força minha pequena demonstrava. Ela já estava com 1,680kg.

Diante de tantas adversidades, que não foram poucas, a única coisa que nos consolava era o fato de que ela sempre demonstrou muita força e vontade de viver, de vencer. A Elora ficou quase 2 meses no CTI e desceu para o berçário no dia 27 de novembro de 2011, onde ficou até o dia 11 de dezembro, quando teve alta. Posso dizer que foi o dia mais feliz de nossas vidas! Poder levar pra casa a nossa princesa, algo tão comum, que, para nós, tornou-se um artigo de luxo.

Quase 3 meses de angústia, dor, sofrimento, incertezas, mas, sobretudo, muito amor, fé, esperança, coragem e força, principalmente da Elora, que tão pequenina já nos ensinou a ter paciência e a viver um dia de cada vez, saindo do hospital com 2,130kg.

Essa pessoinha tão pequena me mostrou algo enorme, que eu não tenho palavras para descrever. Me mostrou que tenho que ter fé acima de tudo, e o que é o amor de mãe. Só por isso, eu vou agradecê-la todos os dias da minha vida e vai ser sempre a bebê mais amada do mundo.

Ela veio ao mundo para somar e unir a família e até muitas pessoas que nem conhecemos, pois também fizeram parte das correntes de orações, mensagens de solidariedade e carinho que recebemos. Obrigada, meu Deus, pela minha filha e por todas as coisas boas que só o Senhor é capaz de fazer."

(relato da mamãe Pat, enviado em 2014)



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