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O amor por Sofia

25/03/2018 Sofia.

"Nossa história se inicia em agosto de 2015, quando decidimos engravidar. 3 meses depois, eu estava grávida do nosso primeiro filho. Só meu marido e eu sabemos o quanto nossa gravidez foi planejada e o quanto esse bebê foi esperado e querido. Só nós dois sabemos o quanto nosso mundo desabou e o quanto foi difícil ter forças todos os dias para continuarmos vivendo depois da perda. Nesse momento, você entende cada vez menos os propósitos de Deus e o porquê você tem que passar por isso. Mas tenta arrancar forças nem sei de onde pra continuar vivendo. Voltar ao trabalho e voltar a vida. Saí do hospital sem dor, aliás com uma dor inexplicável na alma, no coração.

Quantas vezes depois disso choramos abraçados, somente choramos, sem falar nada, sem nos olhar... O colo um do outro simplesmente consolava um pouco da dor que sentíamos no momento. Foi difícil não se revoltar com o mundo, se revoltar com Deus. Sim, é isso mesmo. Dois dias depois da alta que minha ficha começou a cair. Chorei copiosamente pensando e questionando: "Que Deus é esse? Que Deus é esse que é bom, mas levou meu filho?" Doía cada vez que eu lembrava, e eu lembrava a todo instante que meu filho não vivia mais.

O pior pra mim foi guardar as coisinhas dele, parece que nessa hora meu coração ia arrebentar de vez. Meu marido queria fazer isso sozinho para que eu não sofresse ainda mais, só que eu precisava fazer isso, eu precisava encarar essa situação de uma forma que fizesse eu entender que o Felipe tinha ido embora. Não tinha nada que nos blindasse desse sofrimento. No centro cirúrgico, fiz duas perguntas a médica que estava fazendo a curetagem. Se iria doer quando a anestesia passasse e em quanto tempo eu poderia tentar de novo. No hospital mesmo, antes do meu filho nascer, o meu marido me pediu de novo em casamento, e resolvermos sim realizar o nosso sonho de casar na igreja. Isso foi um escape para os dois, e fez com que a dor diminuísse um pouco.

Na época, li em uma entrevista de uma jornalista: "O desejo de ser mãe me empurrou pra frente. Me obrigou a levantar da cama, a voltar ao trabalho, a olhar pro futuro e a acreditar que seria possível sim ter em breve um filho." Era esse desejo que me motivava dia a dia, era ele quem tinha me dado forças para que continuasse tentando.

Faltando 2 dias pro nosso casamento, Deus nos deu uma nova chance: descobrimos que estava grávida, teríamos agora que lutar com tudo que iria acontecer, por isso resolvemos nos resguardar. Decidimos não contar para ninguém até porque não sabíamos como seria o tratamento e a rotina e tudo mais que teríamos pela frente. Enfrentamos a luta contra a trombofilia, o risco de ter um AVC, um risco de um infarte, o risco de ter um parto prematuro. Foram no total 248 injeções na barriga para que ela pudesse nascer e, mesmo com todo esforço e repouso, ela precisou nascer antes.

A Sofia veio de repente. Um mês e meio antes do previsto nossa menina decidiu que aquele seria seu dia. E a Sofia já chegou chegando nesse mundo, chegou como ela só, mostrando a todos a que veio. No seu 1,5 kg, mostrava a todos que tamanho não é documento. Sofia nasceu com 34 semanas, com peso de um bebê de 30 semanas.

Não pude segurar minha filha no colo quando ela nasceu, não pude ter minha tão sonhada foto de família na sala de parto, eu quase não vi minha filha, ela nasceu e já foi direto pra incubadora. Já a levaram pra longe de mim. Só fui conseguir vê-la pelo vidro da incubadora quase 13 horas depois. Precisei ter muita fé. Tem momentos que nem sei de onde eu consegui tirar forças pra seguir em frente dia a dia a nossa batalha. Na hora do desespero, éramos somente eu, com o joelho no chão do banheiro da UTI pedindo um milagre, e Deus: o milagre para poder levá-la pra casa sem nenhuma sequela.

Somente 4 dias depois que ela nasceu pudemos pegá-la no colo, 4 dias depois vimos o rosto da nossa filha direito pela primeira vez. Pela primeira vez eu sentia seu cheiro, pela primeira vez eu beijava seus cabelos, e, naquele momento, parece que o tempo parou. E eu vivia essa rotina louca das 8h da manhã às 10h da noite todos os dias. Ia pra casa dos meus primos e chorava abraçada no colo deles. Não víamos a hora da nossa guerreira ter alta e poder ir pra casa.

E chegou nosso dia! 21 dias depois do nascimento dela tivemos nossa tão sonhada alta. Entre palmas e muita festa, foi assim que partimos para nossa casa, deixando lá amigos preciosos e eternos. Aquele foi o dia mais frio do ano e eu não me importava, só queria saber de ver minha filha no quarto dela que preparamos com tanto carinho. Um novo capítulo se iniciava, o mais importante das nossas vidas: a Sofia finalmente estava em casa e eu poderia ser mãe dela.

Esse vídeo retrata um ano de muita força e muita luta.

Espero que gostem da história da Sofia. Espero poder dar esperança para quem está passando pela mesma situação que passei. Nós vencemos a trombofilia, vencemos a restrição de crescimento, vencemos a prematuridade, vencemos a UTI. A Sofia nasceu e eu renasci!"

(relato da mamãe Ana Carolina de Souza Silva, enviado em 2017)

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