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A história de Isabella: em defesa da PEC dos Prematuros

04/12/2017 Isabella.

O texto original da PEC 181 trata da extensão da licença-maternidade para mães de bebês prematuros e beneficia não só um coletivo de mulheres, mas milhares de famílias em todo país que passam pela experiência da prematuridade. A Associação Brasileira de Pais de Bebês Prematuros - ONG Prematuridade.com é favorável à redação da PEC que aborda EXCLUSIVAMENTE a licença para mães de prematuros e é contra a inclusão do tema “concepção da vida”, aprovada pela Comissão Especial, fato que acabou retardando a tramitação da proposta. Se você apoia a extensão da licença para mães de prematuros e concorda com a urgência dessa decisão, compartilhe seu depoimento (texto ou vídeo) usando as hashtags: #EuPrecisoDaPEc181 #PEC181 #licençamaternidade #prematuro
Confira a nota oficial emitida pela ONG.

"O deputado federal Dr. Jorge Silva está apresentando ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constituição que favorece as mães de recém-nascidos prematuros ou portadores de necessidades especiais. A PEC atualiza a redação do Inciso XVIII do Artigo 7º da Carta Magna do Brasil, ampliando a licença-maternidade para essas mães.

Dr. Jorge defende que, nesses casos especiais, a licença-maternidade passe a contar a partir da alta hospitalar, proporcionando a esses bebês tão frágeis os incomparáveis carinho e atenção da mãe por um período mais prolongado. E o período pós-alta hospitalar é muito delicado para mães e filhos de prematuros, que ficam dias, semanas e até muitos meses internados nas unidades de tratamento intensivo neonatal de alto e médio risco.

Quem conhece um pouco de minha história pessoal, sabe que sou mãe de Isabella, que foi um bebê prematuro extremo. Ela nasceu com 31 semanas, no dia 3 de abril de 2008, sem sequelas, mas muito magrinha e pequenina, pesando apenas 895 gramas e medindo 35 centímetros. Com as complicações na fase final da gravidez, precisei ser transferida às pressas para o Hospital Estadual Dr. Dório Silva. Foi lá que, no mesmo dia em que cheguei, Isabella nasceu e foi levada para a UTI Neonatal, onde permaneceu acompanhada por uma equipe multidisciplinar de profissionais muito competentes. Foram 74 dias de internação, 66 dias no alto risco e 8 dias no médio. Uma jornada iniciada numa quinta-feira 3 de abril que não parecia ter fim.

Como o HDDS está instalado na Cidade de Serra, fui morar o mais próximo possível, na casa de minha irmã Ângela, em Vitória. Eu não estava preparada para enfrentar aquela maratona. De segunda a segunda, acordava às 5h da manhã para chegar ao hospital às 7h. Ficava lá cuidando de Isabella até as 17h. Lembro que muitas vezes retornava a casa tão cansada que minha irmã e meu sobrinho Caio acabavam lavando as roupinhas do bebê, com todos os cuidados especiais.

Nem preciso lembrar que o hospital é um ambiente que nos enchia de apreensões a cada exame ou avaliação do neonatologista. Como os cuidados são especiais, são as mães que acompanham os filhos recém-nascidos na Utin. Sem condições de deixar o trabalho, os pais reforçam a assistência apenas nos fins de semana. Naqueles dias de quase solidão, não era nada fácil ouvir os comentários sobre a saúde do bebê, as dolorosas aplicações de medicamentos, os riscos de infecção, etc.

No dia 18 de junho de 2008, retornamos para São Mateus com Isabella. Em casa, os cuidados foram redobrados. Embora o lar tenha sido remodelado para receber aquela pequena e tão especial criança, confesso que o retorno foi muito difícil. Já não havia aquela equipe tão especializada para ajudar nos cuidados com ela. Recebi ajuda, sim, mas não com o treinamento que essas crianças especiais necessitam. Era eu quem tinha que mostrar o que aprendi naqueles 74 dias de UTI Neonatal.

Ao perceber que, por lei, eu teria pouco mais de um mês para dar assistência integral à minha filha, veio a angústia. Naquela época, eu trabalhava como professora em regime de designação temporária e deveria retornar ao batente no dia 3 de agosto. Não voltei! Decidi que dedicaria os cuidados especiais que Isabella tanto precisava.

Os tempos são outros. Isabella cresceu – na verdade, nem tanto – mas é uma pequenina esperta, que vai à escola, frequenta aulas de natação, de balé, participa do catecismo, curte historinhas, entoa cantigas de rodas, não desgruda dos jogos educativos do smartphone do pai e ainda dá aulas para uma dúzia de bonecas de tamanhos variados. Fui privilegiada por Deus, mas sei que há outras mãezinhas que sofreram (e sofrem) muito mais do que eu. Como não têm parentes que moram perto dos hospitais com UTI neonatal, vivem verdadeiras maratonas nas estradas, de favor.

Por isso, aplaudo a Proposta de Emenda à Constituição defendida por Dr. Jorge Silva. Tenho plena consciência de que ele terá o apoio dos colegas congressistas para ampliar a assistência materna a esses brasileirinhos guerreiros que sobrevivem às adversidades da gestação. As mães e os bebês prematuros e portadores de necessidades especiais precisam desse tempo adicional de interação extrauterina. E é a PEC que pode fazer com que a licença-maternidade nesses casos específicos comece a contar a partir da alta hospitalar.

Parabéns, Dr. Jorge, sua postura é a que se espera de um médico e de parlamentar engajado na promoção da saúde e bem-estar das crianças do Brasil!"

por Flaviane Lopes, educomunicadora, mãe de Isabella Lopes Henriques.

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