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Postado por: Prematuridade.com | 17.10.2012 Prematuridade.com | Histórias reais

Trigêmeos: amor em dose tripla!

Recebi um email da mamãe Ila, que teve trigêmeos de 31 semanas.

Ela diz o seguinte: “Meu nome é Ila e gostei bastante do seu site. Meus filhos nasceram com 31 semanas: o Diego com 1,7kg, a Liz com 1,6kg e a Beatriz com 855g no dia 10 de Março de 2008 (…) Choro ao ler sobre prematuros e a UTI até hoje, pois foi um momento intenso na minha vida. O Diego ficou 28 dias na UTI, a Liz 37 e a Bia 56 (…) Hoje estão todos bem, muito sapecas e muito cheios de energia como toda criança de 3 anos. (…) Acho importante a divulgação do seu trabalho. Só quem teve filhos prematuros sabe como é dura essa vida de “mãe de UTI”.  Parabéns pela iniciativa!”

A Ila tem um blog onde conta um pouco sobre as loucuras e as maravilhas de ser mãe de 3 e ainda trabalhar como advogada. E ela autorizou que publicássemos aqui uma parte de seus relatos sobre o nascimento prematuro de seu amado trio. Ila, obrigada pelo contato, pelo carinho e por “emprestar” seus textos ao nosso site. Um beijo na turminha!

Liz, Diego e Beatriz

“Esses dias eu estava contando pra duas amigas como foram alguns momentos do nascimento deles e de que como foi difícil sair da maternidade, 7 dias depois do nascimento deles, sem carregar minha família comigo.

Logo no começo da gravidez trigemelar a gente ficou sabendo que a chance de eles ficarem na UTI alguns dias era muito grande. Até porque, o nascimento prematuro era quase certo. Não se sabia se a gravidez ia agüentar, 20, 30 ou no máximo, 36 semanas. Eu sempre tive esperança de poder carregá-los mais tempo, mas infelizmente, eles acabaram nascendo com 31 semanas. Assim, depois que eles haviam nascido, tivemos certeza que eles passariam uma temporada lá.

As 72 horas após o nascimento eram cruciais e eles finalmente, tinham tirado o tal do sepape (aparelho que ajuda a respirar). Eu ainda estava internada e pensei que demoraria muito tempo para poder pegá-los no colo. Eles agora recebiam meu leite pela sonda e tomavam soro na veia e os remédios para prevenir uma infecção. Estavam fora de perigo eminente e agora era preciso começar a engordar pra sair logo de lá.

Eu e meu marido estávamos numa visita já rotineira, conversando com um, depois com o outro e depois com o último. De repente, enquanto eu estava “visitando” o Diego na sua casinha quentinha, a enfermeira me perguntou: – você não quer segurar seu bebê? – meus pés tremeram, meu corpo todo sentiu a emoção, balancei a cabeça que sim, perguntei se era seguro e procurei meu marido com os olhos. Ele não me olhava e eu não conseguia emitir som sequer. Tentava falar, chamá-lo, mas minha voz não saia. A enfermeira levantou a portinha, arrumou ele e me deu. Eu estava sentada, com os olhos cheios de lágrimas, tentando chamar meu marido e segurando meu bebê, meu filho, meu menininho. Pedi, quase sem qualquer som, pra enfermeira chamá-lo… Ele se assustou, arregalou o olho e também começou a chorar… A enfermeira então perguntou se ele queria segurar a Beatriz e ele logo acenou que sim, também tremendo de tanta emoção. Ele a segurou, tão pequenina e ficamos os dois meio que petrificados com a emoção, com a delícia de sentir seus pequenos corpinhos em nossas mãos. Era emoção demais, era emoção demais… A enfermeira nos avisou que não era bom tê-los por muito tempo fora da “casinha” e com medo, logo demos pra ela.

Era tudo muito novo e pra gente, delicado. Eles ainda eram pequeninos e a casinha os mantinha quentinhos. Inacreditável, mas os bebês prematuros ficam nessa casinha porque não tem peso suficiente pra manter a temperatura do corpo estável. E assim, logo obedecemos. Mas e a Liz? Pensamos. E a enfermeira colocou ela no colo do meu marido, tão linda, pequenina e doce. E eu estava ao lado dele, olhando aquela imagem maravilhosa e emoção única, indescritível, insuperável.

Na ordem, Diego e Beatriz  no seu primeiro colinho! E o segundo colinho da Liz, pois o primeiro acabamos não tirando fotos.

Era emoção demais (…)

Bom, deixa eu retomar àquele dia e acabar de contar a história do nascimento deles.

Eu confesso que a ansiedade e o medo eram grandes e como eu havia comentado, meu estado era de tensão e de silêncio. Não conseguia falar, me expressar… No total, tinha umas 15 pessoas na sala de cirurgia. Lembro do momento em que tive que me sentar e me foi pedido para enconstar (tentar, claro) a testa nos joelhos. Palhaçada… Brincadeira de mal gosto! A barriga que vinha encostar na testa e não ao contrário! hehehehe.

Todos pareciam bem, felizes, calmos, praticando algo que praticam com muita naturalidade e com bastante frequência. A novata na sala de cirurgia era eu. Maridão, obstetra, 1 pediatra pra cada criança, 1 enfermeira pra cada criança, 1 assistente para cada enfermeira, equipe de anestesia e tinha também, claro, os residentes que eram chamados para assistir o evento!!!! O circo estava com certeza armado! E eu lá, com a minha barriga e meus filhos prontos pra sair! Ai jesus!

As pessoas circulavam de um lado pro outro, parecia que estavam levantando o acampamento para o circo. Como o risco de fazer um parto normal era muito grande, tudo estava esquematizado para a cesárea. 31 semanas com eles na barriga e agora eu tinha de deixá-los sair pra vida, pra o que ela nos reservava. Lembro-me de alguns ensinamentos e aprendizados trazidos pelas 3 perdas anteriores e eles vieram a mente naquele momento. Eles viriam ao mundo e eu cuidaria deles e os amaria o tempo inteiro que estivéssemos  juntos. E era isso que eu queria… Em algum momento, depois que eu não mais sentia as minhas pernas, o Dr. felipe disse que ia trazer o primeiro e que eu ouviria um barulho… E ouvi, era a bolsa que se rompeu. Ele levantou o Diego, às 7:59 e com 1,7 kg e que logo gritou, um chorinho lindo, suave, gostoso e o dr. Felipe o entregou para o primeiro pediatra. Ele mexeu mais um pouco dentro da minha barriga, ouvi outro barulho de outra bolsa estourando, e lá chegou a Liz com 1,6 kg, às 8:00 da manhã. Demorou um pouquinho pra chorar, chorou de mansinho e ele entregou minha princesa para o outro pediatra. Mais alguns segundos e ele trouxe à vida, a Beatriz, também as 8 da manhã, com apenas 855gr. Pequenina, mas forte, chorou logo e mostrou suas garras para o mundo.

Logo depois dessa avalanche de mudanças e de vidas, o Dr. Felipe pronunciou as palavras que nunca mais vou esquecer: “Pronto Ila, agora você está sozinha”. Em parte, ele tinha razão, meus pimpolhos, que por 31 semanas ocuparam parte do meu corpo, haviam ganhado vida própria. E estavam agora lançados ao mundo e brigariam muito ainda pelo direito de estar nele e de respirar sozinhos e ainda, de se alimentarem sem a sonda. Mas por outro lado, aquele dia me trouxe  companheiros de vida.

Minha vida mudou e virou de cabeça pra baixo (algumas vezes) desde aquele dia. Minha casa, que era silenciosa, nunca mais foi silenciosa… Na verdade, nem banho mais eu tomo sozinha esses dias…. Não tem um só dia, desde o dia 10 de março de 2008, que não agradeço por estar sozinha desse jeito!!! com a casa cheia de vida! Aliás, esse blog está aqui pra não me deixar mentir, minha vida nunca mais foi a mesma desde então. E eles finalmente chegaram! E todos os três.

A minha tia Marta, preocupada com a minha inércia durante a gravidez, ofereceu-se pra fazer um enfeite de porta para a maternidade. Meu Deus! Eu não tinha pensando nisso… Também, com o medo que tínhamos de perder um, dois ou todos os três, não tínhamos coragem de preparar e de antecipar nada.

Eu estava calejada demais com as 3 perdas anteriores em 2004 e em 2005 pra preparar qualquer coisa pra chegada deles que pudesse ser feita e depois perdida. Em 2004, logo que soubemos da gravidez, ganhamos vários presentinhos que eu fui guardando até a 11ª semana. Depois, nosso sonho foi embora e tive que jogar tudo fora. Frustrada, triste, impotente diante da vida ou da morte…

Mas minha tia, muito querida, fez o quadro “chegamos”, sem dizer nomes ou número. E o quadrinho, todo delicado, coloquei no quarto da maternidade logo assim que pude me levantar, após a cirurgia. E então percebi que eles haviam chegado e estavam aqui para ficar. Agora uma coisa é certa: sozinha eu não tô não!!!!! Estou é muito bem acompanhada!”

Os passos deles na UTI Neo

Vi as fotos que eu tenho da UTI Neo (esta denominação demonstra o grau de intimidade de qualquer pessoa com a Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal) e queria deixar registrado pra eles os passos (pequenos e grandes) que eles tiveram que dar pra poder sair de lá. Logo depois que eles nasceram, eu vivia no lactário pra tirar leite com uma bombinha. Graças a deus eu tinha leite e isso já era uma vitória.

Eles recomendavam que eu estivesse lá de 3 em 3 horas pra estimular a produção e pra dar mais e mais leite pra eles. O primeiro leite é apenas o colostro mas é muito importante pros bebês. Em 3 dias eu tinha bastante leite e ficava feliz de saber que estava até congelando leite pra futuras refeições.

Eles nasceram numa segunda-feira e no domingo daquela mesma semana eu tive alta do hospital. Normalmente, as mães ficam 2 ou 3 dias no hospital. Como eu estava me sentindo um pouco caída e com baixa quantidade de ferro no sangue, o obstetra tinha recomendado que eu ficasse mais alguns dias. Quando o dia da alta chegou, eu estava triste, muito triste. E não entendia porque estava deixando meus filhos, mas no fundo eu sabia que era melhor pra eles. Nenhum deles conseguia se alimentar diretamente do meu seio e se alimentavam, com o meu leite, mas através de uma sonda, um cateter que levava o leitinho diretamente ao estômago. Um dos passos deles era esse mesmo: aprender a se alimentar sem a sonda e ganhar peso, muito peso, para chegar aos incríveis 2 kg.

O pira voltou a trabalhar 7 dias depois do nascimento deles e eu passei a ter uma única profissão por 120 dias: mãe. Acordava junto com o Pira, tomava banho, café e ia pro Hospital de taxi já que não podia dirigir. Passava o dia lá e o Pira, meu marido maravilhoso, ia me buscar. Todos os dias, sem exceção, a gente pegava cada um e fazia o que eles chamam de “canguru”. É uma técnica de ter seu bebê quentinho e com bastante contato físico. Apesar de a casinha ser excelente para manter a temperatura, ela não dava todo o amor e carinho de pai e mãe. E o método canguru dava.  Na foto abaixo da pra ver um pedaçinho da Bia no colo do papai.

Graças a Deus, depois daqueles 3 dias de perda de peso, eles passaram a engordar. Faziam de 2 a 3 vezes por dia fisioterapia e “fono”, nome carinhoso para as sessões de fonoaudiologia. As sessões de fono eram feitas, normalmente, por profissionais experientes e principalmente muito carinhosos com eles.

A tarefa delas era ensinar eles a mamar. E como eles eram bem pequeninos, sinceramente, elas conseguiam fazer isso como ninguém!!! O Diego foi o primeiro a começar as sessões de fono. Veja a fotinho. Depois que eles aprendiam a mamar sem a sonda, a sonda foi retirada e era possível ver o rostinho deles sem aquele negócio e sem a fita adesiva! Nossa, que delícia!!!

Quando eles atingiram mais de 1,8 kg, sairam da casinha e foram pra um berçinho. Uma graça poder pegá-los sem todos aqueles fios e conexões. A última conexão que era retirada era o sensor que ficava, normalmente, no pezinho deles. O raio do sensor tem como objetivo medir a oxigenação deles.

Quando fomos embora, eu continuava a ouvir aquele barulhinho… Uma loucura. Quando eles foram para o berçinho, finalmente começaram a usar as roupinhas lindas que havíamos ganhado ou comprado. Era incrível mas apesar de serem para prematuros, ainda ficavam enormes…. A Bia foi a última a começar as sessões de fono. Veja que coisinha mais linda tomando o leitinho ainda dentro da “casinha”.

A foto abaixo é a primeira foto da Liz sem a sonda. Veja que ainda dá pra ver os sinais do esparadrapo no rostinho dela.

Essa debaixo é a primeira foto do Diego sem a sonda. Parece bravinho, né?

Essa foto da Liz (abaixo) dá pra ver como as roupas estavam enormes nela. Nesse dia ela atingiu peso suficiente pra ir pro berço e colocou as roupinhas lindas dela. O lilás, na minha opinião, é perfeito pra ela. Até hoje.

Quando a gente já estava se acostumando com a rotina, veio a notícia. O Diego está pronto pra sair da UTI em um ou dois dias!!!! Quase tive um troço. Estou eu preparada pra cuidar de um bebê? Sem enfermeira, fono e fisio???? Ai…….”

Ila, mãe do Diego, da Liz e da Beatriz.

 

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